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Teatro de Resistência

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Na TVE e Rádio MEC

Qualifica um movimento teatral e um conjunto de dramaturgos que se colocam contra o regime militar de 64. São textos que enfocam a repressão à luta armada, o papel da censura, o arrocho salarial, o milagre econômico e a ascensão dos executivos, a supressão da liberdade, muitas vezes apelando para episódios históricos ou situações simbólicas e alegóricas. Desenvolveu-se entre 1964 e 1984, embora a grande concentração esteja entre 1969 (decretação do AI-5 e arrocho da censura) e 1980 (início da distensão).

A primeira reação teatral ao golpe militar de 64 é Opinião, um show de protesto que reúne ex-integrantes do Centro Popular de Cultura, posto na ilegalidade. O espírito de resistência e denúncia das novas condições vigentes no país vai unir, a partir de então, a classe teatral em assembléias, ciclos de leituras dramáticas e outras atividades.

Com o AI-5 e a censura, os dramaturgos são obrigados a aceitar cortes ou a apelar para expressões metafóricas em seus textos, objetivando liberar as encenações. Muitos são proibidos ou mutilados, conhecendo a experiência do palco somente muitos anos após. A Resistência, de Maria Adelaide Amaral (1942), de 1975, obra emblemática do período, só é montada cinco anos depois.

Enfocam a temática social obras como Botequim, 1972, e Um Grito Parado no Ar, 1973, de Gianfrancesco Guarnieri (1934); Mumu, a Vaca Metafísica, 1974, de Marcílio Morais; Corpo a Corpo, 1971, A Longa Noite de Cristal, 1977, e Moço em Estado de Sítio, 1977, de Oduvaldo Vianna Filho; bem como Gota d'Água, de Chico Buarque (1944); A Cidade Impossível de Pedro Santana, 1975, e O Grande Amor de Nossas Vidas, 1978, de Consuelo de Castro (1946), ou Sinal de Vida, 1979, de Lauro César Muniz (1938).

A situação das classes populares constitui tema constante na obra de Plínio Marcos, bem como a de O Último Carro, de João das Neves, 1977.

Assuntos históricos e alegóricos mostram-se uma saída para Castro Alves Pede Passagem, 1971, e Ponto de Partida, 1976, de Gianfrancesco Guarnieri (1934); Calabar, 1972, de Ruy Guerra e Chico Buarque (1944); O Santo Inquérito, 1976, de Dias Gomes (1922-1999); Papa Highirte, 1979, de Oduvaldo Vianna Filho; Frei Caneca, 1978, de Carlos Queiróz Telles .

Situações ligadas à tortura e ao exílio surgem em Milagre na Cela, de Jorge Andrade (1922-1984); Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal (1931), e Patética, de João Ribeiro Chaves Neto, todas de 1978, e Fábrica de Chocolate, de Mario Prata, de 1979, textos que mesmo com cortes e atenuações logram espetáculos de impacto.
Duas realizações coroam este movimento de resistência: A encenação em 1979 de Rasga Coração, texto de Oduvaldo Vianna Filho datado de 1972, que tem de enfrentar dura e longa batalha com a censura, sendo liberado apenas após sua morte. E a visita ao Brasil de Augusto Boal em 1980, vivendo no exílio, com seu Teatro do Oprimido. O texto de Oduvaldo Vianna Filho trata das lutas do Partido Comunista, e o Oprimido, idealizado por Augusto Boal, disponibiliza técnicas teatrais às vítimas de situações opressivas. Tais eventos coroam um movimento que, tendo partido do protesto, amadurece até a defesa do direito à liberdade de expressão.

Fonte : Itaú Cultural


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