Carlos
Lyra (Carlos Eduardo Lyra Barbosa), compositor, cantor e instrumentista,
nasceu no Rio de Janeiro em 11/05/1939. Por várias gerações,
a música faz parte das atividades de sua família. Estudou
em colégio de jesuítas e aprendeu a tocar violão
pelo método Paraguaçu. Ainda no colégio, conheceu
Roberto Menescal, que também tocava violão, e os dois
começaram a estudar juntos, nascendo nessa época a idéia
de formar uma academia de violão.
A escola, que funcionava em Copacabana, virou ponto de encontro de
futuros artistas, como Marcos Vale, Edu Lobo, Nelson Linse Barros, Nara
Leão, Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli (um de seus primeiros
parceiros), e teve grande influência na divulgação
do violão como instrumento importante na bossa nova. Nessa época,
apresentava-se em festas, tocando e cantando com amigos. Sua primeira
composição foi o samba-canção Quando chegares
(1954), que só mais tarde receberia letra. Apresentou em 1954,
em concurso na TV-Rio, sua composição Menina, defendida
pelo cantor Carlos Dias (depois Geraldo Vandré). No ano seguinte,
Sílvia Teles gravou a música em 78 rpm, pela Odeon, que
trazia ainda Foi a noite (Tom Jobim e Newton Mendonça), e que
foi considerado um dos discos precursores da bossa nova.
Em 1956 compôs Maria ninguém, letra e música de
sua autoria. Participou, nesse período, do conjunto de Bené
Nunes, tocando violão elétrico. Em 1957, Os Cariocas gravaram,
de sua autoria, Criticando, samba-colagem, com fragmentos de bolero,
jazz e rock-balada. Começou também a se apresentar em
shows universitários, ao lado de Alaíde Costa, Sílvia
Teles, Oscar Castro Neves, Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal.
Em 1959 destacou-se com Lobo bobo, Saudade fez um samba (ambas com
Ronaldo Bôscoli) e Maria ninguém, gravadas por João
Gilberto no LP Chega de saudade, na Odeon. Ainda em 1959, gravou o primeiro
disco: Carlos Lira -Bossa nova, pela Philips, com texto de Ari Barroso
na contracapa. Em 1960 musicou a peça A mais-valia vai acabar,
seu Edgar, de Oduvaldo Viana Filho, e compôs Gosto de você
(com Carlos Fernando Fortes). No mesmo ano, conheceu Vinícius
de Morais, seu parceiro em inúmeras composições,
entre as quais Você e eu, Nada como ter amor, Coisa mais linda
e Minha namorada.
Em 1961 lançou Se é tarde me perdoa e Canção
que morre no ar (ambas com Ronaldo Bôscoli), e Quem quiser encontrar
o amor (com Geraldo Vandré). No mesmo ano musicou duas peças
infantis de Maria Clara Machado (O dragão e A fada) e a peça
de Francisco de Assis e Nelson Lins e Barros, Um americano em Brasília,
da qual faziam parte as músicas Mister Golden (com Daniel Caetano),
Maria do Maranhão (com Nelson Lins e Barros) e Canção
do subdesenvolvido (com Chico de Assis). A última foi gravada
sob o patrocínio da UNE, mas recolhido quando a peça foi
proibida pela censura. Ligado ao CPC da UNE, que procurava questionar
a herança cultural da música popular brasileira, começou
a fazer contatos com outros compositores populares, resultando daí
uma parceria com Zé Kéti no Samba da legalidade. Mais
tarde comporia lnfluência do jazz, concluindo pela dificuldade
de ligação da bossa nova com o samba tradicional.
Em 1962 musicou o episódio Couro de gata, de Joaquim Pedro
de Andrade, do filme Cinco vezes favela, e a peça Gimba, de Gianfrancesco
Guarnieri; e compôs Aruanda (com Geraldo Vandré), É
tão triste dizer adeus (com Nelson Lins e Barros) e Pobre menina
rica (com Vinícius de Morais). Apresentou-se, em novembro do
mesmo ano, no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em New York,
E.U.A., cantando Maria ninguém e Lobo bobo, show no qual o quarteto
Bossa-Rio, de Sérgio Mendes, tocou lnfluência do jazz.
Em 1963 fez parte do elenco (sendo também o autor das músicas)
da peça Pobre menina rica, apresentada inicialmente sob forma
de show na boate carioca Au Bon Gourmet, com participação
de Vinícius de Morais (autor do texto e das letras das músicas)
e da cantora Nara Leão, que estava sendo lançada. Sob
sua direção, a peça foi montada depois no Teatro
Maison de France, no Rio de Janeiro, e em seguida no Teatro de Bolso,
quando então contou com a participação de Ari Toledo,
cantando Pau-de-arara (com Vinícius de Morais), interpretação
que o tornou conhecido. Ainda em 1963 voltou aos E.U.A., foi diretor
musical do Teatro de Arena e do Centro Popular de Cultura, promoveu
apresentações de Zé Kéti, Cartola, Nelson
Cavaquinho e João do Vale, e musicou o filme Bonitinha mas ordinária,
de José Pereira de Carvalho, além de ter composto com
Vinícius de Morais Marcha da Quarta-feira de Cinzas.
Gravou pela CBS, em 1964, com Dulce Nunes, Moacir Santos, Catulo de
Paula e Telma, o LP Pobre menina rica, com músicas do show, como
Cartão de visita, Sabe você, Marcha do amanhecer, Primavera,
Pau-de-arara e Canção do amor que chegou (todas com Vinícius
de Morais). Viajou, nesse ano, para os E.U.A., onde participou com Stan
Getz do festival de jazz de Newport. Em 1965 excursionou com Stan Getz
por cidades norte-americanas e pelo Brasil, Japão, Canadá
e Europa, e lançou pela Columbia o LP The sound of Ipanema, em
parceria com Paul Winter. A partir de então, passou Ionga temporada
no México, onde se apresentou com Stan Getz e, depois, trabalhou
como locutor e tradutor nas Olimpíadas, musicou cerca de dez
curtas-metragens e peças teatrais, fez jingles para a televisão
e estudou teatro e literatura espanhola.
Compôs, em 1966, Lá vem o bloco (com Rui Guerra), e musicou
o filme de Joaquim Pedro de Andrade O padre e a moça. Dirigiu
em 1970, no México, a peça Ouviu falar em dragão,
recebendo por esse trabalho o prêmio de melhor diretor e ator
do ano. Lá, conheceu sua mulher, Katherine, atriz, cantora e
modelo profissional, e em 1971 voltou ao Brasil para lançar os
LPs ...E no entanto é preciso cantar, com participação
de Chico Buarque, e Eu e elas, ambos pela Philips. Fez a música
Tudo o que eu sou eu dei para a telenovela O cafona, da Rede Globo,
e compôs Essa passou (com Chico Buarque). Em 1973 mudou para a
gravadora Continental e lançou o LP Carlos Lira. No ano seguinte,
gravou o LP Herói do medo, que seria lançado em 1975.
Ainda em 1974, mudou-se para Los Angeles, E.U.A., onde estudou astrologia.
Dois anos mais tarde, voltou ao Brasil e lançou o livro O seu
verdadeiro signo, pela Codecri, Rio de Janeiro.
Em 1979 participou do congresso da UNE em Salvador ocasião
em que dirigiu coro de cinco mil estudantes na interpretação
de sua música Hino da UNE, composta em parceria com Vinicius
de Morais (1963). No ano seguinte, musicou a peça Vidigal, de
Millor Fernandes. Em 1983 compôs, com Paulo César Pinheiro,
as músicas para a peça As primícias, de Dias Gomes,
e a música para a letra O negócio é amar, de Dolores
Durán. Em 1984 estreou 25 anos de bossa nova, no Teatro dos Quatro;
o show foi gravado ao vivo em 1986 e lançado em disco, pela gravadora
3M, no ano seguinte.
Em 1987 apresentou-se na Espanha com Caetano Veloso, Toquinho e Nana
Caymmi. Um ano depois, apresentou-se no Japão, com Leila Pinheiro
e o Quarteto em Cy. Em 1991, sua peça Pobre menina rica foi remontada,
sob direção de Aderbal Júnior. No ano seguinte
excursionou pela Espanha e Portugal, além de ter participado
do Festival Pescara Jazz, ao lado de Gerry Mulligan e Gary Burton. Em
1993, após permanecer seis anos afastado dos estúdios,
gravou no Japão o CD Bossa Lira, pela BMG-Victor. Em 1994 lançou
pela Editora Lumiar o Songbook Carlos Lira, e, em seguida, o livro Ayanamsa
- astrologia sideral, pela Editora Maltese. No ano seguinte, iniciou
temporada de shows pelo Brasil.
Em 1996 compôs os temas de Policarpo Quaresma - Herói
do Brasil (fiIme de Paulo Tiago), fez curta temporada no Japão
e, no final do ano, estreou o show Vivendo Vinícius, com Leila
Pinheiro, Toquinho e Baden Powell. Em 1997 lançou o CD Get us
Bossa Nova (Pony Canyon Records) e estreou o show 40 anos de Bossa Nova,
em Tóquio, ao lado de Roberto Menescal, Leila Pinheiro, Astrud
Gilberto e outros.