Uma Questão de Gosto
A idéia de organizar este volume surgiu durante o debate sobre
a mulher nas artes plásticas realizado no Ciec, em 1987 (1).
O debate, que contou também com a participação
de artistas brasileiras como Lygia Pape, Ana Maria Tavares e Iole de
Freitas, girou em torno do trabalho de Margarethe Jochimsen intitulado
'Qualidade artística: conceito controvertido e instrumento político-cultural'.
Em sua apresentação, Jochimsen identificava a dinâmica
das relações de gênero como determinante na construção
do 'gosto' e da noção de 'qualidade' no campo da arte.
No entanto, o que sublinhou o impacto de sua apresentação
foi o lugar de onde Jochimsen falava. Eram relatos de suas experiências,
não apenas como professora e crítica de arte, ou mesmo
presidente da Associação de Artes de Bonn, mas principalmente
como curadora altamente considerada de várias exposições
e mostras internacionais. Dessa experiência de anos de inserção
e observação da lógica do mercado e da crítica
de arte em relação à produção das
artistas plásticas mulheres, Margarethe tirava o seu diagnóstico
sobre o caráter arbitrário da noção de 'qualidade'
legitimadora de uma obra de arte. Através de descrições
quase etnográficas do dia-a-dia do trabalho em júris de
premiação, reuniões para seleção
de participantes e organização de exposições
individuais ou coletivas, iam-se evidenciando os procedimentos determinantes
dos critérios de premiações e seleções,
assim como da lógica de inclusão/exclusão no mercado
de arte. Tornava-se claro o processo de estabelecimento do cânone
artístico e como ele respondia diretamente às relações
de poder entre os gêneros.
O Problema
As artistas participantes do debate insistiam em afirmar que esses
sintomas não encontravam equivalência no caso brasileiro.
Como prova, citavam, além de suas próprias experiências
pessoais e profissionais, a presença constante de artistas mulheres
em primeiro plano na cena nacional e davam como exemplo a liderança
feminina nos momentos decisivos da arte brasileira. Quem teria sido
- e reconhecido como tal - o artista plástico maior do Modernismo
no Brasil senão Tarsila do Amaral? E quem melhor do que Lygia
Clark, mais uma vez uma artista mulher, representa a explosão
artística dos anos 60 e o movimento neo-concreto?
É mesmo possível dizer - como sugere Frederico Morais
- que a primeira grande discussão em torno da arte moderna foi
detonada pela polêmica exposição de Anita Malfatti
em 1917. Neste momento, Monteiro Lobato com seu infeliz artigo 'Paranóia
ou Mistificação' terminou por consagrar Anita como a protomártir
do nosso Modernismo (2).
Sem dúvida, a história da arte brasileira registra a
presença de algumas artistas excepcionais, principalmente emmomentos
de efervescência político-social e de mudança de
certos paradigmas artísticos. Entretanto, fica a pergunta sobre
a adequação da norma das 'grandes mulheres' como a medida
para a avaliação da produção artística
de uma época.
Foi com esta pergunta em mente e com o sentimento da urgência
do resgate de uma história da produção artística
feminina - ainda apenas entrevista - que iniciamos o projeto de conferir
e registrar a presença das mulheres no circuito das artes no
Rio de Janeiro.
Na organização deste volume, alguns recortes se impuseram
como necessários. Em primeiro lugar, levando-se em consideração
a arbitrariedade das classificações no campo das artes,
colocou-se o problema de como definir entre as mulheres que praticam
atividades de pintura, desenho, gravura etc. quem se enquadraria ou
não na categoria artista plástica. Seria aquela que apresenta
'qualidade' no seu trabalho? Mas seria ainda possível adotar
com tranqüilidade um critério como o de 'qualidade' sem
levar em consideração, antes de mais nada, o caráter
controvertido e de instrumento político-cultural desta categoria?
Ou 'artista' seria aquela que é considerada uma 'profissional'?
Entretanto, já é possível a consciência
de que as regras de inclusão ou exclusão no mercado e
de legitimação da crítica e da academia são
cartas marcadas. A verdade é que as artes 'femininas' por excelência
como a pintura em porcelana, a tapeçaria, a ilustração
ou a cerâmica promovem sempre um certo desconforto frente ao cânone
que estabelece o que é e o que não é arte. Com
a presença destas questões, tornava-se cada vez mais difícil
e mais estimulante exercer como crítica e como mulher o perigoso
exercício de definir critérios para esse levantamento.
Foi então que optamos por aquele que nos pareceu o critério
mais 'objetivo', embora reconhecendo que também este não
conseguia escapar da determinação da visível lógica
do mercado: a escolha de todas as artistas que tivessem mostrado seu
trabalho publicamente, pelo menos uma vez. Restava ainda determinar
o limite de tempo que a seleção abrangeria. Escolhemos
os anos de 1975 a 1985, momento especialmente rico em acontecimentos
que, de certa forma, alteraram alguns rumos da nossa história
social e política. Foi ainda neste período que o mercado
de arte viveu profundas alterações e de que os eventos
ligados à Década Internacional da Mulher redefiniram o
debate feminista no país.
O MOMENTO POLÍTICO
Esse é o período de desmontagem do regime militar no
Brasil. A política da distensão (1974-1978), na busca
de um novo consenso, impõe o reestabelecimento do diálogo
com artistas e intelectuais, segmento considerado de oposição
e, portanto, afastado, desde o final da década anterior, de qualquer
processo de decisão ou gestão da política cultural
do Estado. Ainda que as negociações em direção
à normalidade democrática que marcaram a estratégia
do projeto de distensão tenham se caracterizado por extrema 'prudência',
como comprova a manutenção da censura até o final
da gestão Geisel, esse período assistiu a importantes
demandas da sociedade civil. É o caso do movimento pró-anistia
e o fim do regime de exceção definido pela vigência
do Ato Institucional nº 5, que abrem caminho definitivo para a
'abertura' levada a efeito durante o governo João Figueiredo
(1979-1985). Finalmente, em 1984, a extraordinária mobilização
em torno da campanha pelas DIRETAS JÁ evidencia a conclusão
de um ciclo e um primeiro passo definitivo na direção
da volta do país ao regime democrático. Todo um novo tecido
social vem à tona na luta pelo direito à cidadania; discutem-se
novas formas de pensar e fazer política, consolida-se o debate
conduzido pelas chamadas 'minorias'. Neste quadro, a mulher se impõe
como sujeito político.
A DÉCADA
Em 1975, a ONU, conforme sua tradicional política pedagógica
e a partir do reconhecimento formal da discriminação contra
a mulher, declara oficialmente o decênio 1975-1985 como a Década
Internacional da Mulher. Tal decisão não veio sem conflitos.
Nos países onde o feminismo já conhecia significativa
legitimidade e organização houveram recusas sistemáticas
em relação ao gesto da ONU, sob alegação
de que a declaração da Década teria sido, na realidade,
uma tentativa de encampação dos movimentos e das conquistas
feministas. Nos países de Terceiro Mundo, entretanto, onde os
grupos feministas eram ainda, em sua maioria, incipientes e desorganizados,
a declaração da Década foi de importância
decisiva. No caso brasileiro, como o movimento ainda encontrava-se restrito
a eventos ou promoções episódicas, a Década
surge como a grande oportunidade de estímulo para o desenvolvimento
mais articulado do feminismo enquanto forma de organização
política. Na realidade, a ONU não financiou, ao longo
do período, qualquer organização ou projeto feminista.
A declaração da Década, entretanto, permitiu, num
momento ainda de excepcionalidade institucional e política no
Brasil, a abertura de espaço para articulação e
organização de grupos, o que fora sistematicamente interditado
até então. Sem dúvida, foi também sob a
proteção da Década que se criaram condições
de segurança para a realização, na Associação
Brasileira de Imprensa (ABI), da hoje histórica 'Semana de Debates
sobre a Condição Feminina no Brasil'. A Semana, que representou,
antes de mais nada, uma das raras oportunidades para realização
de concentração pública durante o período,
colocou em debate a condição da mulher em seus vários
aspectos jurídicos, educativos, da comunicação,
da literatura e das artes em geral. Nesta ocasião, foi montada
em plenário a primeira organização feminista do
país, o 'Centro da Mulher Brasileira' no Rio de Janeiro.
Entre 1975 e 1985, organizações, encontros e atividades
proliferaram de forma bastante expressiva trazendo, inclusive, alguns
efeitos imediatos. Um fato importante, por exemplo, foi a mobilização
imediata de algumas juristas brasileiras para avaliar e propor uma revisão
da posição da mulher no código civil brasileiro.
No interior dos sindicatos, novos movimentos de mulheres começam
a desafiar a tradicional 'isenção sindical' a respeito
das questões feministas. Ao mesmo tempo, a violência e
os crimes passionais tornam-se eixos de mobilização e
debate, o que leva à criação de grupos de assistência
como o SOS Mulher. No final da década, em São Paulo, surge
a primeira Delegacia de Mulheres, iniciativa pioneira cujo sucesso e
repercussão levam à criação das atuais 75
delegacias distribuídas por todo o país.
Esta eclosão e expansão dos movimentos feministas teve
dupla importância. Em primeiro lugar, criou-se um espaço
para a discussão e reivindicação dos direitos da
mulher até então bastante incipientes e sem reconhecimento
institucional. Além disso, a partir da legitimidade que a Declaração
da Década pela ONU concedeu aos debates em torno da mulher, surgiram
importantes organizações de contestação
do regime militar como os grupos de donas-de-casa e o Movimento pela
Anistia em 1977. A partir de 1978, com a flexibilização
do regime, a participação política das mulheres
vai se ampliando progressivamente. No final da Década, em 1985,
o movimento feminista obtém como compromisso de campanha durante
a mobilização pela 'Diretas Já' a criação
do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
Os efeitos da Década fizeram-se notar em todas as áreas.
Além da já mencionada intervenção no código
civil, o mercado de trabalho feminino, que em 1975 registrava o índice
de 18% de mulheres no quadro da força de trabalho produtivo,
amplia-se para 39% em 1989. Paralelamente pode-se dizer que o mercado
de bens simbólicos amplia-se com igual força. Surge uma
infinidade de novas cantoras no mercado fonográfico. Exposições
de artes plásticas e mostras de cinema começam a destacar
a participação feminina. Escritoras passam a atrair a
curiosidade de editores e pesquisadores. A televisão inclui em
seus horários nobres, com grande audiência, programas como
'Malu Mulher', 'TV Mulher', 'Mulher 80' etc. Finalmente, a partir do
aval da ONU, a Fundação Ford abre uma linha de financiamento
para os estudos feministas através do Concurso da Fundação
Carlos Chagas que se torna um pólo vital para a promoção
da pesquisa e análise da condição da mulher no
Brasil. (3)
O 'BOOM', AS GERAÇÕES AI 5 E 80
Na área específica das artes plásticas, área
que este 'Quase Catálogo' pretende cobrir, a movimentação
não foi menos intensa. A criação do Instituto Nacional
de Artes Plásticas (FUNARTE), a organização dos
artistas em nível de entidade de classe (ABAAP) e o momento que
se segue ao incêndio do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
são marcos da reorganização da produção
e do mercado de artes desse momento. Aparece, por um lado, ainda como
sintomas da atmosfera de fim do 'milagre econômico' e de transição
do regime de exceção, a condenação do pintor
Lincoln Volpini a um ano de prisão por um tribunal militar em
Juiz de Fora, sob acusação de realizar obra atentatória
à segurança nacional e, por outro, o final do 'boom' do
mercado de artes que marcou os primeiros anos da década. Duas
gerações - a 'geração AI 5' e a 'geração
80'- cujo perfil e projeto artístico e/ou político eram
bastante diversos emergiram e trouxeram novas e estimulantes questões
para o panorama das artes do período.
O fenômeno conhecido como o 'boom' do mercado de arte surgira
como subproduto da alta da Bolsa de Valores no Brasil dos anos 1970
a 1972 e trouxe a novidade da especulação eufórica
no mercado de arte que passa a ser visto como alternativa considerável
no mercado de capitais. Além disso, como o 'boom' tivera início
logo depois da crise da bolsa de valores, alguns investidores passaram
a descarregar no mercado de artes o que haviam ganho na bolsa. Não
era raro ouvir-se que o mercado de arte poderia ser considerado como
a melhor aplicação de capital daquele momento e que comprar
arte era uma aplicação financeira melhor que comprar franco
suíço. (4)
Como decorrência do 'boom', surgiram fortes e organizadas empresas
no setor que, através de exposições e leilões,
passaram a vender em grande escala. A Petite Galerie de Franco Terranova
e a Bolsa de Arte de José Carvalho tornam-se centros de inovação
no mercado de artes. Além da proliferação dos leilões,
idéias como consórcios de arte, semelhantes aos populares
consórcios de automóveis ou aluguéis de quadros
com direito a desconto no Imposto de Renda como prestação
de serviço são artifícios freqüentes de experimentação
deste mercado.
Entretanto, por volta de 1981, os jornais começavam a divulgar
notícias como o 'Mercado Carioca de Arte Cai no Sono"(5).
Cai o número de exposições, discute-se não
só a validade dos leilões, reduzidos agora a apenas uma
moda, como também o estouro escandaloso da Galeria Collectio
e, principalmente, a retração do mercado. Enquanto a Petite
Galerie fecha suas portas, os pintores ensaiam vender seus quadros em
casa. A chamada lei dos 20%, que garante ao artista participação
financeira nas operações de venda de trabalhos de sua
autoria, transformando-o numa espécie de sócio vitalício
de sua obra, desestimula os investidores e torna-se um fator a mais
na desaceleração do mercado na primeira metade dos anos
80. Enquanto o mercado vivia o 'boom', a vanguarda refluía, pois
desde o AI 5 tivera que recolher-se ou manifestar-se esporadicamente
usando linguagens herméticas ou cifradas. O 'boom' não
ajudou os artistas mais jovens nem proporcionou a revisão da
geração intermediária, tendo beneficiado apenas
os 'grandes' da pintura brasileira.
A geração 70 - ou AI 5 como é também conhecida
- responde diretamente aos efeitos artificiais do 'boom', visto não
como uma articulação do circuito de arte mas como merca
'intensificação do comércio especulativo de objetos
institucionalizados como arte por instâncias mais ou menos separadas
do próprio mercado de arte local'. A crítica ao 'boom'
e às estratégias da comercialização de bens
simbólicos empreendida por esta geração aponta
para a crítica mais profunda das instâncias que detêm
o controle dos direitos de veiculação e legitimação
das obras de arte. Nesta perspectiva, são também discutidos
os critérios de funcionamento dos salões e academias que
teriam 'o objetivo de normalizar as manifestações artísticas
e adequá-las às ideologias culturais das classes dominantes'.
(6)
Daí a novidade e mesmo a radicalidade da geração
70. Diferentemente dos programas revolucionários da geração
anterior ou da utopia dos anos 60, os novos artistas passam a perceber
o caráter claramente construído dos discursos da crítica,
do mercado e, de uma maneira mais geral, das diversas instituições
que legitimam a noção de obra de arte nas sociedades contemporâneas.
Desta forma, estabelecem enquanto projeto a procura de novas perspectivas
para a criação e inserção de suas obras
no circuito das artes. Segundo Frederico Morais, o artista da geração
70 é uma espécie de guerrilheiro e sua arte uma forma
de emboscada. Ele é fundamentalmente, ao invés de autor
de suas obras, um propositor de situações ou apropriador
de objetos e eventos sobre os quais não pode exercer continuamente
formas de controle (7). O que está prioritariamente em questão
agora é o questionamento das formas da 'instituição
arte' e do modo como ela está inscrita na sociedade.
Enquanto o mercado vivia seu 'boom' favorecendo os 'grandes' da pintura
brasileira e evitando investir nos artistas mais jovens, ou mesmo promover
a revisão da geração intermediária do ponto
de vista da pesquisa de linguagem, a vanguarda refluía, coagida
desde o AI5 a recolher-se ou manifestar-se esporadicamente através
de linguagens mais e mais herméticas e cifradas.
O pique da atividade experimental no campo das artes plásticsa
teve como espaço o Museu de Arte Moderna do RJ até 1975
e a Escola de Artes Visuais entre 1977 e 1978. Desta forma, pode-se
perceber quanto o incêndio do MAM, em 1975, atingiu a produção
experimental, já naturalmente alijada do espaço do circuito
comercial, e sem que se tivesse conseguido articular novos circuitos
alternativos ou universitários para sua produção.
Em julho de 1984, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage inaugura
a exposição 'Como vai você Geração
80"?' reunindo 123 artistas de todo o país. Ao contrário
do experimentalismo e dos exercícios conceituais dos anos 70,
os novos artistas, para a desolação da crítica,
voltavam, com o maior empenho, para o trabalho com as técnicas
tradicionais do desenho e da pintura, procuravam como compromisso as
imagens contundentes e vibrantes da indústria cultural e desprezavam
as preocupações formais 'desnecessárias', segundo
eles. Longe dos projetos de questionamento e resistência da geração
anterior, esta, procura, através de obras vendáveis, seduzir
o mercado para poder não perturbar o sistema e não ser
perturbado por ele. Segundo Marcos Lontra, a festa da geração
80 onde a presença do público era uma constante, na verdade
correspondia ao clima eufórico de um país que saía
da ditadura em pleno namoro com a prática democrática.
O mercado e as galerias comerciais até então imunes aos
talentos emergentes não conseguem resistir a essa movimentação
toda e investem francamente nos novos artistas.
ESTE VOLUME
O que faziam as mulheres nesta época no campo das artes plásticas?
Como terão vivido e experimentado estes 10 anos tão complexos
e ricos em questões que envolviam mudanças políticas,
embates geracionais e especulação financeira no reino
das artes? Teriam os avanços e debates em torno da condição
feminina, promovidos pela Década Internacional da Mulher, se
refletido na produção artística feminina ou facilitado
de alguma forma sua inserção no mercado? Foi assim que
resolvemos promover um levantamento da produção artística
feminina no período e gravar, para o acervo de história
oral da Produção Cultural Feminina no Brasil, do Núcleo
de Referência Ciec, alguns depoimentos com artistas das duas gerações
que atuaram neste período. A condução dos depoimentos
procurou privilegiar a trajetória da artista, sua formação
familiar e profissional, o impacto de seu trabalho e sua experiência
enquanto mulher e produtora de cultura na sociedade brasileira. Fragmentos
destes depoimentos estão publicados neste volume. Surpreendentemente,
os resultados destas conversas não confirmaram a impressão
deixada pelo debate que se seguiu à palestra de Margarethe Jochimsen.
As artistas entrevistadas mostraram-se extremamente preocupadas com
sua condição como mulheres, discutiram na sua maior parte
os mitos e discursos construídos sobre o que seria uma sensibilidade
feminina e os aspectos de controle que estas construções
atualizam. Algumas, inclusive, de forma bastante contundente como Thereza
Simões ao identificar a discriminação contra a
mulher como determinante de um pensamento e uma criatividade mais radicais
e mesmo mais violentas.
Para esta pesquisa, trabalhamos nos arquivos da Associação
Brasileira de Artistas Plásticos Profissionais RJ, no núcleo
de documentação da FUNARTE, no Centro de Cultura Alternativa
da RioArte, na Biblioteca Nacional, Biblioteca do Museu de Arte Moderna
do Rio de Janeiro, Biblioteca da Escola de Artes Visuais e em bibliotecas
e acervos particulares. Gostaria de agradecer a todas estas instituições
e ao estímulo constante de Luciano Figueiredo, que nos acompanhou
desde o início deste trabalho.
Este projeto contou com o apoio dos Institutos de Artes Gráficas
e de Artes Plásticas da FUNARTE, do CNPq, da FINEP, do CIEC,
da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro
e do Departamento Geral de Documentação e Informação
Cultural da Secretaria Municipal de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro.
Heloisa Buarque de Hollanda