Cultura, palavra originada do verbo cultivar, um legado que o homem
traz consigo desde os tempos imemoriáveis, o legado que o permitiu
evoluir, o de poder enfim sentar raízes e abandonar o nomadismo.
A necessidade da semeadura permitiu ao homem inventar a roda, a observar
os astros e perceber que a natureza abundante à sua volta poderia
ser dominada.
Chico Buarque para fugir da censura chegou a assinar composições
com a alcunha de Julinho da Adelaide. Os jornalistas do Jornal do Brasil
tentando avisar aos seus leitores sobre o que estava acontecendo no
país depois do dia 13 de dezembro de 1968 (promulgação
do AI-5) publicaram na parte referente à previsão do tempo
que o tempo estava sufocante e o ar irrespirável. Os asfalto
se juntava com o morro e todos cantavam que podiam bater, mas que não
mudariam de opinião. Era o Show Opinião, estreando meses
após o golpe e que impulsionou as carreiras de Zé Kétti,
João do Vale, Carlos Lyra, Nara Leão, Maria Bethânia
e Caetano Veloso.
Nos Festivais Internacionais da Canção (FIC) nomes novos
surgiram como Elis Regina, Chico Buarque, Geraldo Vandré e Ronaldo
Bôscoli. O público, pela urgência da época,
vaiou a belíssima música de Chico e Tom, 'Sabiá',
pela politizada 'Prá não dizer que não falei das
flores' de Geraldo Vandré. Foram 10 anos de festivais, até
terem sido extintos pelo governo, afinal não podiam ceder aquele
espaço em cadeia nacional de televisão e rádio
à um grupo disposto a tudo pela busca da liberdade.
No plano teatral muita perseguição foi feita.
Teatros foram fechados arbitrariamente, atores foram detidos, com
alguns chegando ao enfrentamento como foi o caso no espetáculo
Roda Viva, de Chico Buarque, em que um grupo invadiu o teatro onde se
realizava a peça, espancou os atores e espectadores e fugiu.
Censores nos jornais, a desconfiança crescia entre os setores
da sociedade, não se podia mais confiar em ninguém. As
listas negras compunham o ambiente de trabalho.
Vamos às flores!