RESUMO DO PROGRAMA
LINGUAGEM
DE INTERNET
O Observatório da Imprensa de 29 de março discutiu como a linguagem da
internet, difundida em chats e blogs, pode influenciar nosso idioma e
qual sua penetração nos meios de comunicação.
Participaram
do programa, em São Paulo, a professora Marisa Lajolo e o editor do
caderno de informática da Folha de S. Paulo, Rodolfo Lucena. Em nossos
estúdios no Rio de Janeiro estiveram o escritor Deonísio da Silva e o
professor Sérgio Nogueira Duarte.
Alberto
Dines, em seu editorial, afirmou: "a tremenda penetração da internet
entre os jovens está transformando a linguagem abreviada dos chats e
blogs numa espécie de código que nada tem a ver com a gramática,
ortografia, e às vezes subverte a própria semântica. Em um país que lê
tão pouco, escreve menos ainda, e quase não se entende, é bom pensar em
voltar para a escola".
A professora
titular de Teoria Literária da UNICAMP, Marisa Lajolo, iniciou o debate:
"Eu acho que essa linguagem mostra uma criatividade muito grande. Eu
tenho certeza de que uma das grandes coisas que o ser humano sempre fez,
e faz cada vez melhor, é inventar linguagens, decifrar linguagens,
reinventar linguagens, e esse surto de internetês é muito criativo e, em
certos aspectos, retoma algumas práticas ortográficas dos séculos XVII e
XVIII, então eu acho que a cultura não está em risco".
Dando
continuidade, o professor Sérgio Nogueira, que escreve a coluna de
português Aula Extra, concordou: "Eu encaro com certa naturalidade,
porque como uma língua viva, ela evolui, se transforma, isso é natural.
Eu acho que é muito importante, hoje, o professor de língua portuguesa
não se assustar com o problema, procurar conhecer esse código".
Rodolfo
Lucena, que está no jornalismo de informática desde 1984, falou em
seguida: "Ao longo do tempo os homens começam a adaptar a linguagem ao
meio que estão usando. E essa linguagem usada na internet, como o
próprio uso da rede, cada vez mais rápido, reflete a vida de hoje. Eu
acho extremamente positivo o uso que os jovens fazem da internet e dessa
linguagem tão peculiar porque, em primeiro lugar, eu vejo adolescentes
escrevendo, talvez como nunca, nos últimos vinte anos. E, em segundo
lugar, para que você saiba usar uma linguagem reduzida você precisa
conhecer a linguagem, o básico". Questionado por Alberto Dines se a
Folha poderia, um dia, usar em seus textos o internetês, Lucena
respondeu: "A gente procura na Folha ser um bastião da linguagem, da
norma culta, o jornal procura lutar por isso cotidianamente, tanto na
produção do material que chega ao leitor, quanto no trabalho interno da
redação".
Deonísio da
Silva, diretor da Faculdade de Comunicação Social da Universidade
Estácio de Sá, disse: "uma pequena parcela da sociedade brasileira tem
acesso à internet e essa pequena parcela assemelha-se a uma horda de
zulus eletrônicos, que pularam o livro e foram direto para o teclado,
este eu acho que é o grande prejuízo". O colunista do JB, da revista
Caras e do Observatório online afirmou ainda: "está mais do que na hora
de nós fazermos uma defesa da norma culta da língua portuguesa. Eu já
disse isso, eu considero a língua portuguesa assassinada a tecladas".
Rodolfo
Lucena discordou: "Eu acho que o maior vilão, a maior ameaça ao
português são as diferenças sociais, a exclusão social, que leva milhões
de brasileiros a não terem acesso a educação, a linguagem".
Deonísio da
Silva retrucou: "Eu acho que falta editor na internet. Na internet hoje
entra tudo, e 90% de tudo é tosco. Na minha modesta opinião, estamos
assistindo a um rebaixamento da língua portuguesa, que é um indicador de
vários outros rebaixamentos na vida nacional".
Tiago
Chediak (estagiário)
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
A morte
anunciada de Terri Schiavo está galvanizando a mídia e através dela
armou-se uma platéia de dimensões planetárias como talvez nunca
aconteceu antes.
Uma tragédia
que se arrasta há 15 anos saiu do âmbito familiar graças à intensa
politização exercida pelo governo Bush e, em seguida, espetacularizada
de uma forma que não estimula a reflexão sobre questões tão
transcendentais como a vida, a morte e os limites entre uma e outra. A mídia
está desperdiçando uma rara oportunidade para fazer pensar e destravar
as sensibilidades das suas audiências. Voltaremos ao assunto.
O
Presidente da República ontem em Brasília deixou de lado um discurso
escrito e num improviso sobre a força do pensamento positivo
confessou-se crente no poder das palavras, para Lula as palavras são
determinantes para mudar os comportamentos humanos. Está certíssimo.
Nesta edição
do Observatório também vamos discutir as palavras mas em outra ótica:
a forma de registrá-las.
Quando Sócrates
manifestou-se contra a adoção do alfabeto há cerca de dois mil e
quatrocentos anos o problema da grafia das palavras não existia. As
palavras valiam pelo significado, por seu valor e eram registradas na
memória. Na era da comunicação as palavras passaram a ser
condicionadas pela forma em que são apresentadas. Com letra miúda uma
frase tem uma força, com letras garrafais a mesma frase ganha outra
intensidade e até outro sentido. Nos antigos telegramas no lugar do
ponto escrevia-se pt. Mais tarde nos teletipos uma palavra oxítona no
lugar do acento aparecia um hagá.
A
tremenda penetração da internet entre os jovens está transformando a
linguagem abreviada dos chats e dos blogs num espécie de código que
nada tem a ver com a gramática e às vezes subverte a própria semântica.
Num país que lê tão pouco, escreve menos ainda e quase não se
entende é bom pensar em voltar para a escola.
ARTIGO
Por Alberto Dines
GOVERNO LULA
O caso do Zé Salsicha
Alberto Dines
copyright Último Segundo (www.ultimosegundo.com.br),
25/03/05
"Adolf Hitler e suas idéias
voltaram a ser falados por causa do massacre na escola da reserva indígena
de Red Lake, Minnesota. O assassino-suicida, era admirador declarado do
Führer. Também eram nazistas os protagonistas da chacina em Columbine,
assim como Edmar Freitas que em Taiúva (S.Paulo), no início de 2003,
saiu atirando na escola onde estudou.
Hitler é um demônio que dificilmente
desaparecerá dos tratados de história e do repertório de horrores políticos.
Foi mencionado em Janeiro quando foram lembrados os 60 anos da libertação
de Auschwitz - sua obra máxima - e voltará novamente à pauta em 8 de
Maio nas comemorações dos 60 anos do fim da 2ª Guerra Mundial na
Europa e da erradicação do nazi-fascismo.
Maníaco, sanguinário, demoníaco,
este é o retrato que dele ficou. Transcorrido tanto tempo esquecemos
que Hitler foi também intensamente ridicularizado. Ao iniciar a sua
incrível ascensão em meados dos anos 20, era um joão-ninguém que
apenas desejava chamar a atenção num ambiente paralisado pela crise
financeira, pelo caos governativo, pela omissão do judiciário, pela
falta de lideranças, por uma república em escombros (a de Weimar,
criada com as mais sublimes intenções).
O apelido de Hitler não poderia ser
mais desprezível - Hans Wurst, Hans Salsicha que traduzido para o vernáculo
daria Zé Salsicha (ou Zé Salame, já que a tradicional salsicha alemã
é maior do que a nossa). De uma forma ou de outra, este Hans Wurst, o
palhaço da política, justamente para enfrentar o escárnio e a
zombaria dos adversários foi implacável quando os conservadores alemães
entregaram-lhe o poder certos de que o insignificante austríaco seria
logo esmagado.
Hoje rimos mais de Benito Mussolini por
causa dos uniformes, da postura empavonada, dos gestos grandiloqüentes,
mas Il Duce, alem de mais culto, foi muito mais hábil do que
Hitler-Wurst: seu discurso socialista, patriótico e triunfalista
garantiu-lhe maior durabilidade -- 21 anos contra os 12 do parceiro.
A troça não é destrutiva, a caçoada
tem algo de compassivo. Ridículo, risível, é o que faz rir. E rir faz
bem, mesmo quando não há razões para alegrar-se. O intuitivo Severino
Cavalcanti, já percebeu que a caricatura lhe convém. É a sua forma de
arrombar as portas da fama. Através da caricatura passou por cima das
praxes e ritos e escreveu a mais fulminante trajetória política das últimas
décadas. Gozado e mofado, dá as cartas no circo político há mais de
um mês. Foi decisivo na tragicômica reforma ministerial ao impor ao
presidente Lula a única saída honrosa que cabia depois do ultimato.
De relance, percebeu o imenso poder da
comicidade e deixou que o seu instinto de defesa armasse uma piada sobre
ele mesmo ao amenizar a ameaça: ‘Eu na oposição ? Tá doido, gosto
mesmo é de governo.’ Entrou no clima. E vai faturar todas as charges
e piadas que sobre ele serão produzidas nos cerca de 690 dias que ainda
lhe restam de mandato.
Severino nada tem a perder com as palhaçadas,
só a ganhar. E se o que diz a sério sobre o ‘nepotismo iluminado’
transforma-se em blague nacional certamente passará a apelar
propositadamente à patuscada para manter-se em cartaz. Sabe que a sova
de galhofas a que está sendo submetido em algum momento deverá ser
revertida para transformar-se em solidariedade. A sociedade cordial não
suporta castigos mesmo quando justos.
Sobretudo num cenário de marasmo
administrativo onde o próprio governo num perigoso ato falho admite a
necessidade de um ‘choque de gestão’. Num ambiente com estas
características, sua audácia e a facilidade de servir-se do grotesco
serão armas valiosas. Convém não esquecer como Severino foi cortejado
pelos príncipes da Fiesp e da Associação Comercial de S.Paulo
imediatamente após a eleição. Nem como o chefe do Judiciário e
presidente do STF correu para oferecer-lhe os préstimos de causídico
na operação de contornar a lei e aumentar na marra os vencimentos dos
deputados.
Se mantiver a sua capacidade de atrair
as elites oportunistas e souber mobilizar a massa de eleitores que levou
os ‘300 picaretas’ à Câmara Federal, o homem está feito como líder
político. É o dr. Enéas que deu certo.
Hans Wurst, o Zé Salsicha, não reuniu
tantas e tão favoráveis circunstâncias. No país dos coitadinhos,
Severino Cavalcanti tem todas as condições para transformar-se em herói
nacional."
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
DE CARA COM A MORTE
Terri Schiavo e um sentido para a vida
Ulisses Capozzoli
A discussão do caso Terri Schiavo
sobre o enfrentamento da morte transformou-se ao longo dos últimos dias
num debate planetário. Ao menos onde as populações podem dar-se ao
privilégio de envolvimentos emocionais com um caso individual, em lugar
de enfrentarem horrores coletivos de que são parte, como em muitas regiões
da África e em todo o Iraque.
Há uma enorme complexidade por trás
de um caso como este que a mídia, por razões que vão da carência de
tempo e espaço – sem falar de superficialidade, aqui por motivos que
se estendem da banalização à carência de formação – cobre com um
cínico emocionalismo.
A possibilidade de um padre ter
derramado gotas de vinho na língua de Terri Schiavo transforma-se em
manchetes de páginas ou em destaques nos textos envolvendo a experiência
dessa mulher que, desde 1990, após uma parada cardíaca, teve
dificuldades com a oxigenação cerebral e sobrevive em estado vegetativo,
alimentada compulsoriamente.
Mas tudo indica que a espetacularização
do caso Terri Schiavo denuncia o horror ocidental do inevitável
encontro marcado com a morte, a única certeza que temos na vida, e para
o que não existe uma solução fácil na parafernália científico-tecnológica
posta à disposição de quem pode pagar por isso.
Pobreza de filosofia e afeto
Quando vivíamos mais próximos da
natureza, com a consciência de sermos parte do Universo – o que levou
os gregos a desenvolver a noção de cosmos, como equivalência de
harmonia –, culturas antigas ensinaram os humanos a morrer com
dignidade.
E nem sempre a razão pura orientou
essas iniciativas. Os primeiros sepultamentos foram feitos sob efeito de
experiências mágicas, as mesmas utilizadas para dar sentido às
iniciativas de caça. Mas nem quando agiram sem o predomínio da razão
os humanos foram irracionais. Ordenamentos mitológicos estruturaram
esses procedimentos e eles davam, à experiência de viver, o sentido de
que hoje nos ressentimos.
Os políticos, com o oportunismo
despudorado que exibem por toda parte, talvez sejam uma das evidências
mais claras da crise de valores que atravessamos, ao menos no Ocidente,
para uma caracterização menos controvertida. E aqui aparecem os irmãos
Bush como provas disso: o presidente George W. e o governador da Flórida,
Jeb, estado onde Terri Schiavo se encontra hospitalizada.
Os Bush clamam pela vida como se fossem
dos poucos com sensibilidade para isso. Mas como governador do Texas,
apenas para situar, o atual presidente autorizou pelo menos 150 execuções
de pena de morte. Isso sem falar de sua obsessão em levar guerra e
destruição ao Iraque, como se os Estados Unidos não fossem os responsáveis
diretos pela criação do truculento Saddam Hussein.
Se fosse necessário um outro exemplo
poderíamos evocar o protesto dos moradores de Cidade Ocidental, na
periferia de Brasília, que na terça-feira (22/3) se rebelaram, armados
de paus e pedras, como uma sociedade primitiva, contra o despudor de políticos
de legislarem em causa própria, na determinação de arrancar benefícios
extras de uma sociedade exaurida em sua capacidade de pagar tributos.
Cirurgiões plásticos, sem qualquer
demonização absoluta de uma especialidade que se justifica por
diferentes razões, talvez sejam outra das metáforas desses tempos
empobrecidos de filosofia e afeto, sensações substituídas pela alienação
e ganância. Michael Jackson, um mutilado pelos bisturis desses
especialistas, dispensa comentários nessa direção.
Tão perto, tão longe
O que conectaria, como uma fiação
invisível, o caso Terri Schiavo, a sumariedade da mídia, a
monstruosidade física de Michael Jackson e o despudor dos políticos
por toda parte?
A resposta mais promissora talvez seja
"uma crescente alienação social", apesar do aumento do fluxo
da informação.
Temos mais informação neste início
de milênio, mas elas não são relevantes e por isso mesmo não fazem
sentido enquanto possibilidade de construção de uma nova maneira de
pensar o mundo. O que significa considerar que instaurar uma noção de
cosmos e humanidade, de fato, parece cada vez mais uma utopia.
E aqui, mais uma vez, retornamos à
convivência com a morte.
O Livro Tibetano dos Mortos, o Bardo
Todol, adaptação budista de uma tradição tibetana, que antecede ao século
7 desta era, traz uma abordagem do ciclo da existência samsárica (fenomênica)
entre a morte e o renascimento – e com isso dá ao moribundo a
dignidade de morrer com a paz que falta a Terri Schiavo e produz um
sofrimento coletivo.
Embora essa obra tenha se tornado
conhecida como suporte aos que morrem e aos que já morreram – num
sentido praticamente ininteligível para o Ocidente – o Bardo Todol
distribui seus ensinamentos aos que nasceram, o que significa dizer que
trata a vida humana do nascimento à morte cobrindo as experiências
entre esses dois extremos.
Por aqui teríamos um encontro também
com Platão, ao menos em um de seus diálogos, Timeu, abordando
constituição política, cosmologia e antropogênese. Mas num tempo
raso de filosofia e especulação além dos limites dos Big Brother
planetários, Platão é sinônimo de luxo, impossibilidade quase
completa de se descobrir que o que parece absolutamente novo foi
concebido e considerado já em séculos anteriores.
Ainda assim, há motivos para alguma
comemoração. É o caso da entrevista que o suplemento "Aliás",
do Estado de S.Paulo, trouxe na edição de domingo (27/3, págs. J 4-5)
com o padre Leo Pessini, ex-capelão do Hospital das Clínicas em São
Paulo, num esforço necessário para se compreender os limites entre a
parafernália médico-tecnológica e o território insondável da morte.
Num diálogo sensível e inteligente
com a repórter Mônica Manir, sob a forma de entrevista pingue-pongue,
Pessini avança com coragem e inovação em considerações não muito
freqüentes entre religiosos no Brasil.
Em revelações distribuídas ao longo
das duas páginas, os valores religiosos de Pessini não inibem, em
nenhum momento, observações críticas contemporâneas – revelando
que por mais de 12 anos convivendo com pacientes terminais nunca se
sentiu "tão perto do ser humano e tão longe da humanização",
por ver desrespeitado, numa instituição que é referência nacional,
"o direito de o paciente morrer em paz e com dignidade".
Síndrome de Peter Pan
Numa crítica velada a uma mentalidade
autoritária por parte da medicina, Leo Pessini relata que "o
procedimento standard é investir em todas as possibilidades tecnológicas
de cura, como se a morte fosse inimiga e não um processo conseqüente
da vida" – articulações presentes no secular Bardo Todol ou no
Timeu de Platão (onde a origem para as doenças do corpo e da alma são
as mesmas, sendo a doença da alma a demência, decomposta em loucura e
ignorância).
Colocando-se pessoalmente ao lado dos
pais de Terri Schiavo, contrários à retirada dos tubos de alimentação
(antes que fosse anunciada a decisão dos médicos de fornecer morfina
como forma de amenizar a sorte da paciente), o ex-capelão do Hospital
das Clínicas denuncia que "as unidades de terapia intensivas (UTIs)
atuais são modernas catedrais de sofrimento humano", considerando
que só deveriam receber este benefício "quem tem esperança de
cura, mas não é bem isso o que acontece". Neste caso, razões
econômicas, sem que o padre tenha dito e que a mídia tenha
investigado, costumam prevalecer sobre o sofrimento em conluio com a
negligência do Estado.
Duas considerações do ex-capelão
Passini merecem reflexões adicionais pela atualidade e importância no
interior de uma sociedade que, apesar de todas as dificuldades,
lentamente amplia sua expectativa de vida.
A primeira delas diz respeito à bioética
– "um grito pela dignidade humana. Defesa da vida num sentido
amplo que se estende pelos níveis ecológicos e cósmico. Nasceu pelas
mãos do oncologista americano Van Rensselaer Potter, uma ciência com
apenas 35 anos".
A outra é uma revelação pessoal
envolvendo pessoas que lhe pediram para morrer: para Pessini, o grande
desafio desses momentos "é ser criativo, combinar razão,
realidade, fé e coração humano. Quem pede para morrer está gritando
por sentido numa vida sem sentido".
Por tudo isso o drama de Terri Schiavo
é desagradavelmente desconfortável à falsa sensação de que tudo
pode ser arranjado com facilidade com que se redesenham traseiros,
peitos e narizes numa sociedade que se recusa a envelhecer, agarrada a
uma síndrome de Peter Pan.
Não gostamos de pensar na morte. Mas
ela é, ao fim de tudo, a única certeza da vida.
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Deonísio
da Silva – Escritor
"Achei o programa muito bem dirigido. O Dines fez a reforma agrária
da palavra, dividindo bem o tempo dos convidados."Sérgio
Nogueira Duarte – Professor
"O programa foi interessante pelo fato de os 4 convidados terem
opiniões divergentes sobre o assunto e mesmo assim no final houve uma
convergência de idéias."
São
Paulo:
Rodolfo
Lucena – Ed. Informática Folha de S. Paulo
"Acho que o programa foi interessante, poderia talvez ter espaço
para mais polêmica, para mais discussão entre os debatedores. Sobre a
questão em si, acho que já deixei clara a minha posição e queria
lembrar que alguns dos ícones da cultura e da literatura brasileira o são
exatamente pela forma com que revolucionaram a linguagem. Alguém citou
no final do programa a beleza da prosa de Guimarães Rosa e essa prosa
revolucionou a linguagem e até as palavras, e talvez por isso mesmo é
ininteligível para uma grande parte dos leitores. Outros autores,
talvez menos famosos mas também muito importantes, trabalharam a
linguagem de uma forma muito peculiar, por exemplo, o teatrólogo Corpo
Santo e o grande cineasta Glauber Rocha, que procurou até criar uma
grafia do que considerava ser a língua portuguesa mais correta. É
isso. Acho que a internet só ajuda a enriquecer a cultura em
geral."
Marisa
Lajolo – Professora
"Acho que se tocou em tudo que era importante, a questão básica da
dicotomia de uma linguagem mais tradicional e a nova linguagem que está
aparecendo na internet e acho que a bola está agora com quem assistiu o
programa, é a vez das outras pessoas dizerem o que acharam."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 29/03 a 05/04:
Felício
– Prof. Filosofia
Quando leio o economês, o filosofês, o governês, o futebolês, o
mediquês e o jornalês nem sempre entendo e são linguagens
específicas de específicas atividades humanas, não aconteceria o
mesmo com as linguagens dos jovens e dos computadores?
Roberto
Bueno Mendes, São Paulo
Olá pessoal do Observatório, haverá algum problema só se todos
resolverem escrever assim em todos os lugares, inclusive nos jornais.
Imagine um caderno de economia, que já não é fácil de se entender,
escrito com o dialeto da internet? Seria uma das coisas mais estranhas.
Tem-se, apenas, que adequar a linguagem à situação na qual se encontra
no momento. Gostaria de lembrá-lo sobre os inúmeros sites e blogs
dedicados à literatura na internet. A internet não é a peste negra
contaminando a língua portuguesa, apenas. Há inúmeras iniciativas
apoiadas pelo SESC OnLine, por exemplo, exclusivas para ajudar os
internautas a escreverem seus próprios textos com todas as formas que a
língua portuguesa nos proporciona. Obrigado e parabéns pelo programa.
Maérlio
Machado
Acredito que esta nova modalidade de escrita nas vias da internet, não
deixando de ser uma nova forma de linguagem, vem deturpar a nossa
língua oficial, uma vez que induz ao hábito de não mais buscar a
forma correta da escrita. Como disse Willian Somerset Maugham se não
mantivermos constantemente o uso da fala, certamente, ao longo do tempo,
perderíamos essa comunicação.
Alexandre
Felix, Manaus / AM
Caros amigos, se considerarmos o nosso idioma como um dos elementos que
unem o nosso país, não seria prudente considerar que essas
interferências do "internetês" são prejudiciais?
Aurelio
Moraes, São José dos Campos / SP
Não é perigoso que alunos de jornalismo usem excessivamente o "internetês",
por modismo e falta de leitura? Tenho receio que no futuro esta praga
chegue aos grandes jornais. Estou no primeiro ano da faculdade de
jornalismo e detesto o "internetês", fico muito chateado ao
ver colegas de classe escrever desta forma assumidamente por modismo e
também por falta de leitura. Creio ser ainda mais grave quando os
jornalistas que devem ser os bastiões das normas cultas gramaticais e
alunos de jornalismo escrevem desta forma bizarra. O internetês é tão
bizarro quanto o gerundismo e a expressão "a nível de".
Ronaldo
Augusto, Belo Horizonte / MG
Boa noite! Acho que nesta aparente rapidez de comunicação pela
internet estão embutidas outras deficiências - uma delas é a
incapacidade de digitar o teclado. No mais, a grande dificuldade de
estruturar o pensamento lógico pelos jovens. Vide uma sala de
bate-papo. Terrível!
Walter
Filho, Curitiba / PR
Boa noite, minha pergunta é: Além da questão da linguagem cifrada
usada nos chats e na internet, por uma minoria na minha opinião, qual a
opinião dos senhores sobre o uso dos editores de texto com corretores
ortográficos automáticos que apontam "erros" em palavras
corretas e muitas vezes inibem uma produção de texto mais elaborada?
Outra pergunta, se possível: Certos termos, como o PT usado nos
telegramas, foi incorporado em expressões (vide: PT saudações). Como
estas expressões das salas de bate-papo podem ser incorporadas em
expressões exclusivamente e não na língua culta?
Zé
Augusto
Caros participantes do OI, tenho notado por parte de alguns
participantes da mesa uma total aversão para o surgimento desta
"nova linguagem", mas acredito que vocês ainda não estão
inteirados totalmente com o seu uso. Esta linguagem se destina às
conversas totalmente superficiais e sem o mínimo de profundidade. São
empregados em conversas completamente informais e sem o mínimo de
formalidade. Acredito que seja impossível conversar com essa
"nova linguagem" sobre assuntos como: o impacto do amor na
vida dos seres humanos, o que acontece com a alma depois da morte, por
que o futebol carioca se encontra em um momento tão difícil, portanto,
os assuntos centrais da vida do homem são impossíveis de serem
tratados por essa simples linguagem. Dado esse meu ponto de vista,
pergunto: será que uma linguagem tão simples e básica pode suportar
as discussões de assuntos profundos e complexos da vida humana?
Erica
Pompeu, Fortaleza / CE
Caros colegas, considerando a argumentação da profª Marisa a favor do
"internetês", fundamentada em uma espécie de
pró-criatividade da nossa juventude, fiquei tentando imaginar esta
linguagem em uso universal. Fiquei pensando em como ficariam, por
exemplo, Vinícius de Moraes ou Fernando Pessoa decodificados a partir
deste "internetês". De fato, seria muito criativo; mas
extremamente pobre. Hoje, comemoramos quatro anos de casados, eu e meu
marido. Fiz o teste. Peguei uma folha de papel e tentei fazer uma carta
de amor. Saiu ridícula, mas não no sentido de que "todas as
cartas de amor, se são cartas de amor, são ridículas".
Antônio
Castigliola, Rio de Janeiro
Num país em que a marca registrada são os sem-livros, sem-cultura,
sem-conhecimento, a defesa intransigente de uma variante para a língua
portuguesa, o internetês, não é o indicativo de que além dos
analfabetos formais e informais estamos criando agora os analfavirtuais?
Taís
Vargas, Ponta Grossa / PR
Muita teoria e pouca prática. Estamos regredindo aos feudos, com
dialetos compreensíveis apenas em grupos fechados, na contramão da
unificação da linguagem. A língua padrão não foi criada sem
motivos; houve a necessidade de padronizar o modo de uma nação se
comunicar. Aleijamentos ortográficos não podem ser incentivados,
principalmente entre crianças e adolescentes, que estão em fase de
formação de sua capacidade de comunicação. Quem teria a pretensão
de considerar-se capaz de decifrar este pequeno texto, se fosse escrito
com aleijões ortográficos quer formam uma nova língua, praticada
apenas entre grupos fechados? É a pulverização da cultura e a volta
à barbárie. Parabéns escritor Deonísio da Silva.
Silvia,
São Paulo
Estou acompanhando o programa de hoje e não pude deixar de me
manifestar. Convivo diariamente com adolescentes que praticam o
internetês e posso observar que essa deformação de escrita não se
restringe ao meio cibernético, pois eles escrevem bilhetes, cartas e
redações com o mesmo tipo de abreviação. Ao contrário do que a ala
acadêmica dos convidados defende, acredito sim que os prejuízos do uso
indiscriminado dessa linguagem são muitos e serão vistos em breve. Por
que não há nenhum convidado representando o mercado de trabalho? O que
será que acontecerá ao candidato de emprego que trocar letras ou
abreviar pronomes? A memória visual é algo indiscutível e não pode
ser menosprezada. Isso sem falar nas empresas que já estão se
aproveitando disso (Telecine). Desculpem-me a franqueza, mas acho que a
ala acadêmica está sendo demagoga e concordo plenamente com o
Deonísio.
Henrique
Flink, Brasília / DF
Embora o programa seja específico sobre a linguagem da Internet, seria
interessante ouvir a opinião dos ilustres debatedores sobre a seguinte
questão: o que traz mais prejuízo à língua portuguesa? Este dialeto
"internetês" ou a televisão com programas tipo Xuxa
"ensinando" as crianças e juventude a escrever e falar tudo
com "x"?
Monica
Gostaria
de enviar um comentário ao prof. Sérgio Nogueira: nenhum linguista
sério diz que não se deve ensinar a língua culta ou padrão, como
queira, ao aluno. Essa é a língua oficial do Brasil e nós,
professores, temos de segui-la. Além disso, está claro que não
ensinar essa modalidade é não fazer democracia etc etc. O que se deve
ter em mente é que esse ensino (que perseguimos) não corresponde à
realidade, os alunos odeiam estudar a língua por isso. O ensino faliu
(há muitos motivos para esse fato, mas não é o caso de citá-los) e
não ver esse fato é perder o bonde da história. A língua está em
constante evolução e até que se oficialize outro código, ficaremos
numa situação esquizofrênica dentro da sala de aula. Enfim, não
adianta vender essa idéia de que tal forma é certa e tal é errada. A
língua portuguesa está se transformando assim como o latim evoluiu
para as línguas neolatinas. Percebe?
Kelly
Olá
equipe do programa Observatório da Imprensa. Escrevo-lhes para dizer
que adorei o tema que foi discutido na terça-feira dia 29.03, o qual
destacava a questão da linguagem na internet. De fato é algo para ser
discutido pois mesmo que alguns convidados do dia não vissem problema
nessa "novidade" que principalmente os jovens vêm adotando,
há sim que levar em conta que isso poderá interferir na nossa língua
portuguesa que acaba sendo erroneamente utilizada. Eu em particular amo
a escrita e sempre escrevo corretamente, tanto que se há dúvida, logo
procuro um dicionário para redigir certo e também para manter a
perfeição da escrita, pois dou muito valor a isso e confesso que fico
terrivelmente incomodada com os termos "naum" em vez de não;
"mto" em vez de muito; "fds" em vez de final de
semana, enfim, diferenciações que, inclusive, conforme disse o
escritor Deonísio da Silva no programa, isso é algo que uma
determinada faixa etária (ou otária!) tem utilizado. Lamentável que
haja muito conhecimento tecnológico e pouca cultura clássica. Falta
esses seres lerem mais, se aprofundarem na língua portuguesa e
procurarem escrever da melhor forma e não o contrário. Ainda que esses
termos sejam utilizados em simplificações para se ganhar tempo talvez,
acaba habituando-os e a palavra inteira não mais sendo escrita como
deve ser, deixando-os depois, possivelmente, até na dúvida em como
escrevê-las. É preciso que as escolas cobrem mais dos alunos e os
façam escrever corretamente sempre! Quero agradecê-los por colocarem
sempre em discussão temas tão interessantes e mostrar a nós,
telespectadores que acompanhamos temas como esse, que não estamos
sozinhos nessa visão. Abraço a toda equipe e sucesso!
Marinésio
Gonçalves – Prof. Língua Portuguesa e Literatura Brasileira
Estou enviando esta mensagem para manifestar meu desagrado em relação
a alguns pontos do debate da última terça-feira dia 29 de março deste
ano, cujo tema foi: "As licenças de linguagem na internet
empobrecem a língua portuguesa?" No meu entender, uma série de
lacunas, causadas pela não definição de conceitos básicos, bem como
o destaque de opiniões parciais e sem sustentação científica
contribuíram para um encaminhamento quase que totalmente equivocado da
questão. Em primeiro lugar, a afirmação de que a linguagem usada na
internet contribui para o "empobrecimento da língua"
prescindiu do estabelecimento claro dos conceitos de língua e do que
nesta língua especificamente estava sendo empobrecido. Entre tantas
outras definições possíveis, a língua é entendida como um sistema
convencional de signos que permite uma atividade interacional entre
sujeitos, e que tem na ortografia um conjunto de regras que define a sua
representação escrita, no caso em questão, dentro da chamada
norma-padrão. A ortografia não é um elemento natural da língua, mas
artificialmente construído e no caso da língua portuguesa falada no
Brasil, definido em Lei. O uso das abreviaturas foi debatido em vários
momentos como um ataque à língua, quando, na verdade (se é algum
ataque) atinge especificamente às regras ortográficas. Segundo o sr. Deonísio da Silva, a língua estaria sendo "assassinada a
tecladas". Se estendermos esta análise para a pontuação, o
problema abordado ainda estará restrito à representação escrita da
língua portuguesa. O que há de grave nisto é que o programa permitiu
a formação ou consolidação de um primeiro equívoco: o de que a
língua se resume à modalidade escrita. Com relação a ser o
"empobrecimento da língua" causado pela falta de vocabulário
dos usuários, podemos levantar algumas perguntas: quantas palavras
seriam necessárias para se estabelecer um vocabulário particular
"rico" ou "adequado"? O que vem a ser um
vocabulário rico? O uso de termos específicos da linguagem de
programação e da informática não pode formar um vocabulário
"rico"? Se não existe um número exato de palavras para
formar um vocabulário rico (até porque este número poderia ser
preenchido com palavras "simples"), seria rico um vocabulário
que contivesse uma série de palavras de significado difícil, de
preferência de origem grega ou latina, ou que remontasse a textos
"antigos" (seja lá o que isto queira dizer). Se for este o
ponto, parece claro que estamos diante de um problema que atinge a
educação formal, mas isto será tratado mais adiante. Antes, gostaria
de abordar um outro equívoco que até se tentou superar (nas falas da
Profª Marisa Lajolo e do Prof. Sérgio Duarte), mas acabou ganhando
força: a falta de contextualização da situação de uso da linguagem.
Para o uso adequado da linguagem, o usuário deve compreender que
diferentes situações de comunicação "pedem" diferentes
linguagens, ora mais espontâneas, ora mais formais. Desta maneira, a
linguagem usada na internet responde às particularidades deste meio de
comunicação, como a necessidade de rapidez na troca de informações e
a simplificação (que nem sempre ocorre) na forma de representação
escrita. Se o grande problema em relação a isto se deve à
transposição da linguagem da internet para outros contextos que não o
da comunicação rápida e simplificada da "rede", e mais
especificamente o uso desta linguagem em textos formais, então o
verdadeiro foco não está na aquisição desta linguagem, mas na
capacidade de contextualizá-la. Desenvolver esta capacidade é função
da educação formal e aqui entramos no terceiro equívoco a ser
abordado. É papel da educação formal, por meio dos professores de
língua portuguesa, desenvolver o uso efetivo da língua em suas várias
modalidades, entre as quais a sua norma-padrão. Sendo assim, não cabe
aos professores cercear o uso da linguagem da internet, mas ensinar aos
alunos a necessidade de se contextualizar cada linguagem de que
dispõem, bem como o uso da modalidade padrão, na qual estão
estabelecidas as regras ortográficas vigentes. Parece-me claro com isto
que não há nenhuma contradição entre usar a linguagem abreviada ou
sem pontuação da internet e usar, em outra situação comunicativa, a
norma-padrão. O que me parece ter havido mais uma vez foi o equívoco
do sr. Deonísio da Silva e do Prof. Sérgio Duarte, quer por
desconhecimento do objeto de análise, quer por uma questão
marcadamente ideológica. Dentro deste segundo aspecto classifico
declarações como a do Prof. Sérgio Duarte a respeito da necessidade
de alguém defender a norma-padrão. Ora, uma afirmação destas faz
pensar que poucos abnegados se entregam ao trabalho de ensinar a
norma-padrão, quando na verdade ela está presente no programa oficial
do MEC, nos Parâmetros Curriculares Nacionais, e é estudada por pelo
menos onze anos, somados o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. O
ensino da norma-padrão não é uma tarefa solitária de meia dúzia de
guardiões, como fica parecendo, mas faz parte de um programa oficial de
ensino, repito. Se existem problemas na aquisição desta modalidade da
língua isto se deve a dois fatores: uma crise generalizada na
educação formal brasileira, e uma falta de consistência na própria
definição do que é a norma-padrão do português no Brasil e na sua
metodologia de ensino. O que não se pode admitir são conclusões
"científicas" como a do sr. Deonísio da Silva que atribui o
"empobrecimento da língua" à "burrice" dos que
utilizam a linguagem da internet e os inclui numa "faixa
otária". Aos que não têm preparo científico e emocional
(independente de sua titulação), aos que não têm respeito pelo seu
interlocutor, ou aos que agem de má-fé, restam a ofensa e a
arrogância, em lugar da análise bem fundamentada do objeto em debate.
Considerando que o Observatório da Imprensa é um espaço de
exposições consistentes de diversos temas relevantes no cenário
político e intelectual do país, eu não poderia deixar de manifestar
meu desconforto ao perceber tantas distorções. Não poderia permitir
que mais uma vez a reflexão científica sobre a linguagem (como fez a
Profª Marisa Lajolo) fosse calada pela mais perigosa das ignorâncias
que é aquela que se reveste de saber acadêmico, mas é parcial e
limitada em sua análise.
Telefonemas recebidos em 29/03:
Francisco
dos Navegantes, Ceará Mirim / RN
Essa nova linguagem pode vir a atrapalhar de alguma forma a relação
entre pais e filhos?
Ruy
Fulgêncio, Belo Horizonte / MG
Será que os alunos estão utilizando essa linguagem porque não estão
tendo um bom ensino em sala de aula e não conseguem absorver a matéria
ensinada?
Paulo
Henrique, Itapetininga / SP
O importante da língua é se expressar, o que realmente importa é a
comunicação. Olhando por este prisma, essa linguagem não seria benéfica?
Antônio
George, Dias D’ávila / BA
Se um aluno entregar uma redação para o professor escrita na linguagem
da internet ela deverá ser considerada errada, mesmo que não fuja do
tema?
Essa nova linguagem pode comprometer a formação das crianças que
ainda não dominam bem a linguagem escrita?
Paulo
Moreira, Goiânia / GO
A Língua Portuguesa é viva e já sofre variadas alterações durante
alguns séculos. Essa nova "língua" dos jovens pode
contribuir para a evolução do Português?
Rui
Barbosa, Tomar do Gerú / SE
Esse Português utilizado na internet pode provocar algum tipo de
"dano" na gramática normativa ensinada em sala de aula?
Paulo
Telles, Recife / PE
A educação infantil pode ser deturpada por essa língua chamada "internetês"?
Suriel
Ribeiro, Porto Alegre / RS
O que essa linguagem de internet pode acrescentar à norma culta e o que
a norma culta pode acrescentar à nova linguagem da internet?
Geter
Levi, São Paulo
É considerada uma linguagem informal um texto com sinais e abreviações
na internet?
Marcos
dos Santos, Rio de Janeiro
A falta de programas de ensino da Língua Portuguesa na TV aberta não
pode estar abrindo espaço para essa nova linguagem?
Cíntia
Araújo, Belo Horizonte / MG
Qual a sua opinião sobre o ensino de línguas através da internet?
Isso é prejudicial ou benéfico?
Liriana
Nunes, São Paulo
Nós não corremos o risco dessa linguagem ser incorporada ao nosso
vocabulário?
Sérgio
dos Santos, Calhieira / SP
Essa linguagem facilita ou dificulta o poder de raciocínio das pessoas
que a utilizam?
Palmira
Felipe, Rio de Janeiro
Vocês acham que em 2015 a Língua Portuguesa já terá absorvido essa
nova linguagem?
Alexandre
Piqui, Santos / SP
Essa linguagem da internet pode futuramente ser agregada à gramática
utilizada nas salas de aula?
Bruno
Spinelli, Abreu de Lima / PE
A falta de variações dessa língua não pode acabar transformando o
Português em um dialeto muito restrito?
Alexandre
Sonego, Araçatuba / SP
De acordo com a obra de Marcos Bagno toda e qualquer espécie de pré-conceito
que fazemos da língua é uma espécie de segregação que cometemos com
os falantes. O senhor acredita que posteriormente teremos mesmo o "internetês"
como dialeto ou é apenas um modismo?
Betuel,
Brasília / DF
Essa linguagem abreviada não pode atrapalhar e prejudicar o prazer pela
leitura?
Paulo
Cunha, Salvador / BA
Em uma prova de vestibular, se o aluno usar abreviaturas como essas e
conseguir transmitir o conteúdo desejado, o professor deve diminuir a
nota?
Cleonice
Oliveira, Cotia / SP
Essa nova linguagem pode acrescentar coisas positivas a Língua
Portuguesa e até facilitar a comunicação no mundo moderno?
Adriel
Mavckaf, Guarulhos / SP
Essa nova linguagem pode se transformar em uma linguagem mundial? Um
esperanto do século XXI como disse o Mauricio de Sousa?
Eduardo
Lapola, São Gonçalo / RJ
Como é possível conjugar a internet e a norma culta da Língua
Portuguesa?