PROGRAMA DO DIA 29 DE MARÇO DE 2005

LINGUAGEM DE INTERNET

A Internet criou uma nova linguagem usada por milhares de pessoas, principalmente pré – adolescentes e jovens. Este dialeto se popularizou e chegou à tevê.

A rede Telecine estreou uma sessão com filmes legendados em "internetês": é a faixa Cyber Movie. A nova sessão atraiu a ira de vários telespectadores que não aprovaram a nova linguagem. Mesmo assim, a rede já garantiu a continuidade da programação.

Com este enfoque o Observatório da Imprensa discutiu se este tipo de linguagem prejudica ou não a língua portuguesa. Falamos também do empobrecimento do português, do uso exagerado dos bordões na imprensa e das simplificações. A Internet pode influenciar no aprendizado da língua portuguesa?

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

GOVERNO LULA
O caso do Zé Salsicha
Alberto Dines

copyright Último Segundo (www.ultimosegundo.com.br), 25/03/05

"Adolf Hitler e suas idéias voltaram a ser falados por causa do massacre na escola da reserva indígena de Red Lake, Minnesota. O assassino-suicida, era admirador declarado do Führer. Também eram nazistas os protagonistas da chacina em Columbine, assim como Edmar Freitas que em Taiúva (S.Paulo), no início de 2003, saiu atirando na escola onde estudou.

Leia na íntegra

As licenças de linguagem na internet empobrecem a língua portuguesa?

Resultado:

Sim: 72%

Não: 28%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

A morte anunciada de Terri Schiavo está galvanizando a mídia e através dela armou-se uma platéia de dimensões planetárias como talvez nunca aconteceu antes.


Leia na íntegra

DE CARA COM A MORTE
Terri Schiavo e um sentido para a vida

Ulisses Capozzoli

A discussão do caso Terri Schiavo sobre o enfrentamento da morte transformou-se ao longo dos últimos dias num debate planetário. Ao menos onde as populações podem dar-se ao privilégio de envolvimentos emocionais com um caso individual, em lugar de enfrentarem horrores coletivos de que são parte, como em muitas regiões da África e em todo o Iraque.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

LINGUAGEM DE INTERNET

O Observatório da Imprensa de 29 de março discutiu como a linguagem da internet, difundida em chats e blogs, pode influenciar nosso idioma e qual sua penetração nos meios de comunicação.

Participaram do programa, em São Paulo, a professora Marisa Lajolo e o editor do caderno de informática da Folha de S. Paulo, Rodolfo Lucena. Em nossos estúdios no Rio de Janeiro estiveram o escritor Deonísio da Silva e o professor Sérgio Nogueira Duarte.

Alberto Dines, em seu editorial, afirmou: "a tremenda penetração da internet entre os jovens está transformando a linguagem abreviada dos chats e blogs numa espécie de código que nada tem a ver com a gramática, ortografia, e às vezes subverte a própria semântica. Em um país que lê tão pouco, escreve menos ainda, e quase não se entende, é bom pensar em voltar para a escola".

A professora titular de Teoria Literária da UNICAMP, Marisa Lajolo, iniciou o debate: "Eu acho que essa linguagem mostra uma criatividade muito grande. Eu tenho certeza de que uma das grandes coisas que o ser humano sempre fez, e faz cada vez melhor, é inventar linguagens, decifrar linguagens, reinventar linguagens, e esse surto de internetês é muito criativo e, em certos aspectos, retoma algumas práticas ortográficas dos séculos XVII e XVIII, então eu acho que a cultura não está em risco".

Dando continuidade, o professor Sérgio Nogueira, que escreve a coluna de português Aula Extra, concordou: "Eu encaro com certa naturalidade, porque como uma língua viva, ela evolui, se transforma, isso é natural. Eu acho que é muito importante, hoje, o professor de língua portuguesa não se assustar com o problema, procurar conhecer esse código".

Rodolfo Lucena, que está no jornalismo de informática desde 1984, falou em seguida: "Ao longo do tempo os homens começam a adaptar a linguagem ao meio que estão usando. E essa linguagem usada na internet, como o próprio uso da rede, cada vez mais rápido, reflete a vida de hoje. Eu acho extremamente positivo o uso que os jovens fazem da internet e dessa linguagem tão peculiar porque, em primeiro lugar, eu vejo adolescentes escrevendo, talvez como nunca, nos últimos vinte anos. E, em segundo lugar, para que você saiba usar uma linguagem reduzida você precisa conhecer a linguagem, o básico". Questionado por Alberto Dines se a Folha poderia, um dia, usar em seus textos o internetês, Lucena respondeu: "A gente procura na Folha ser um bastião da linguagem, da norma culta, o jornal procura lutar por isso cotidianamente, tanto na produção do material que chega ao leitor, quanto no trabalho interno da redação".

Deonísio da Silva, diretor da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Estácio de Sá, disse: "uma pequena parcela da sociedade brasileira tem acesso à internet e essa pequena parcela assemelha-se a uma horda de zulus eletrônicos, que pularam o livro e foram direto para o teclado, este eu acho que é o grande prejuízo". O colunista do JB, da revista Caras e do Observatório online afirmou ainda: "está mais do que na hora de nós fazermos uma defesa da norma culta da língua portuguesa. Eu já disse isso, eu considero a língua portuguesa assassinada a tecladas".

Rodolfo Lucena discordou: "Eu acho que o maior vilão, a maior ameaça ao português são as diferenças sociais, a exclusão social, que leva milhões de brasileiros a não terem acesso a educação, a linguagem".

Deonísio da Silva retrucou: "Eu acho que falta editor na internet. Na internet hoje entra tudo, e 90% de tudo é tosco. Na minha modesta opinião, estamos assistindo a um rebaixamento da língua portuguesa, que é um indicador de vários outros rebaixamentos na vida nacional".

Tiago Chediak (estagiário)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

A morte anunciada de Terri Schiavo está galvanizando a mídia e através dela armou-se uma platéia de dimensões planetárias como talvez nunca aconteceu antes.

Uma tragédia que se arrasta há 15 anos saiu do âmbito familiar graças à intensa politização exercida pelo governo Bush e, em seguida, espetacularizada de uma forma que não estimula a reflexão sobre questões tão transcendentais como a vida, a morte e os limites entre uma e outra. A mídia está desperdiçando uma rara oportunidade para fazer pensar e destravar as sensibilidades das suas audiências. Voltaremos ao assunto.

O Presidente da República ontem em Brasília deixou de lado um discurso escrito e num improviso sobre a força do pensamento positivo confessou-se crente no poder das palavras, para Lula as palavras são determinantes para mudar os comportamentos humanos. Está certíssimo.

Nesta edição do Observatório também vamos discutir as palavras mas em outra ótica: a forma de registrá-las.

Quando Sócrates manifestou-se contra a adoção do alfabeto há cerca de dois mil e quatrocentos anos o problema da grafia das palavras não existia. As palavras valiam pelo significado, por seu valor e eram registradas na memória. Na era da comunicação as palavras passaram a ser condicionadas pela forma em que são apresentadas. Com letra miúda uma frase tem uma força, com letras garrafais a mesma frase ganha outra intensidade e até outro sentido. Nos antigos telegramas no lugar do ponto escrevia-se pt. Mais tarde nos teletipos uma palavra oxítona no lugar do acento aparecia um hagá.

A tremenda penetração da internet entre os jovens está transformando a linguagem abreviada dos chats e dos blogs num espécie de código que nada tem a ver com a gramática e às vezes subverte a própria semântica. Num país que lê tão pouco, escreve menos ainda e quase não se entende é bom pensar em voltar para a escola.


ARTIGO
Por Alberto Dines

GOVERNO LULA
O caso do Zé Salsicha
Alberto Dines

copyright Último Segundo (www.ultimosegundo.com.br), 25/03/05

"Adolf Hitler e suas idéias voltaram a ser falados por causa do massacre na escola da reserva indígena de Red Lake, Minnesota. O assassino-suicida, era admirador declarado do Führer. Também eram nazistas os protagonistas da chacina em Columbine, assim como Edmar Freitas que em Taiúva (S.Paulo), no início de 2003, saiu atirando na escola onde estudou.

Hitler é um demônio que dificilmente desaparecerá dos tratados de história e do repertório de horrores políticos. Foi mencionado em Janeiro quando foram lembrados os 60 anos da libertação de Auschwitz - sua obra máxima - e voltará novamente à pauta em 8 de Maio nas comemorações dos 60 anos do fim da 2ª Guerra Mundial na Europa e da erradicação do nazi-fascismo.

Maníaco, sanguinário, demoníaco, este é o retrato que dele ficou. Transcorrido tanto tempo esquecemos que Hitler foi também intensamente ridicularizado. Ao iniciar a sua incrível ascensão em meados dos anos 20, era um joão-ninguém que apenas desejava chamar a atenção num ambiente paralisado pela crise financeira, pelo caos governativo, pela omissão do judiciário, pela falta de lideranças, por uma república em escombros (a de Weimar, criada com as mais sublimes intenções).

O apelido de Hitler não poderia ser mais desprezível - Hans Wurst, Hans Salsicha que traduzido para o vernáculo daria Zé Salsicha (ou Zé Salame, já que a tradicional salsicha alemã é maior do que a nossa). De uma forma ou de outra, este Hans Wurst, o palhaço da política, justamente para enfrentar o escárnio e a zombaria dos adversários foi implacável quando os conservadores alemães entregaram-lhe o poder certos de que o insignificante austríaco seria logo esmagado.

Hoje rimos mais de Benito Mussolini por causa dos uniformes, da postura empavonada, dos gestos grandiloqüentes, mas Il Duce, alem de mais culto, foi muito mais hábil do que Hitler-Wurst: seu discurso socialista, patriótico e triunfalista garantiu-lhe maior durabilidade -- 21 anos contra os 12 do parceiro.

A troça não é destrutiva, a caçoada tem algo de compassivo. Ridículo, risível, é o que faz rir. E rir faz bem, mesmo quando não há razões para alegrar-se. O intuitivo Severino Cavalcanti, já percebeu que a caricatura lhe convém. É a sua forma de arrombar as portas da fama. Através da caricatura passou por cima das praxes e ritos e escreveu a mais fulminante trajetória política das últimas décadas. Gozado e mofado, dá as cartas no circo político há mais de um mês. Foi decisivo na tragicômica reforma ministerial ao impor ao presidente Lula a única saída honrosa que cabia depois do ultimato.

De relance, percebeu o imenso poder da comicidade e deixou que o seu instinto de defesa armasse uma piada sobre ele mesmo ao amenizar a ameaça: ‘Eu na oposição ? Tá doido, gosto mesmo é de governo.’ Entrou no clima. E vai faturar todas as charges e piadas que sobre ele serão produzidas nos cerca de 690 dias que ainda lhe restam de mandato.

Severino nada tem a perder com as palhaçadas, só a ganhar. E se o que diz a sério sobre o ‘nepotismo iluminado’ transforma-se em blague nacional certamente passará a apelar propositadamente à patuscada para manter-se em cartaz. Sabe que a sova de galhofas a que está sendo submetido em algum momento deverá ser revertida para transformar-se em solidariedade. A sociedade cordial não suporta castigos mesmo quando justos.

Sobretudo num cenário de marasmo administrativo onde o próprio governo num perigoso ato falho admite a necessidade de um ‘choque de gestão’. Num ambiente com estas características, sua audácia e a facilidade de servir-se do grotesco serão armas valiosas. Convém não esquecer como Severino foi cortejado pelos príncipes da Fiesp e da Associação Comercial de S.Paulo imediatamente após a eleição. Nem como o chefe do Judiciário e presidente do STF correu para oferecer-lhe os préstimos de causídico na operação de contornar a lei e aumentar na marra os vencimentos dos deputados.

Se mantiver a sua capacidade de atrair as elites oportunistas e souber mobilizar a massa de eleitores que levou os ‘300 picaretas’ à Câmara Federal, o homem está feito como líder político. É o dr. Enéas que deu certo.

Hans Wurst, o Zé Salsicha, não reuniu tantas e tão favoráveis circunstâncias. No país dos coitadinhos, Severino Cavalcanti tem todas as condições para transformar-se em herói nacional."


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

DE CARA COM A MORTE
Terri Schiavo e um sentido para a vida

Ulisses Capozzoli

A discussão do caso Terri Schiavo sobre o enfrentamento da morte transformou-se ao longo dos últimos dias num debate planetário. Ao menos onde as populações podem dar-se ao privilégio de envolvimentos emocionais com um caso individual, em lugar de enfrentarem horrores coletivos de que são parte, como em muitas regiões da África e em todo o Iraque.

Há uma enorme complexidade por trás de um caso como este que a mídia, por razões que vão da carência de tempo e espaço – sem falar de superficialidade, aqui por motivos que se estendem da banalização à carência de formação – cobre com um cínico emocionalismo.

A possibilidade de um padre ter derramado gotas de vinho na língua de Terri Schiavo transforma-se em manchetes de páginas ou em destaques nos textos envolvendo a experiência dessa mulher que, desde 1990, após uma parada cardíaca, teve dificuldades com a oxigenação cerebral e sobrevive em estado vegetativo, alimentada compulsoriamente.

Mas tudo indica que a espetacularização do caso Terri Schiavo denuncia o horror ocidental do inevitável encontro marcado com a morte, a única certeza que temos na vida, e para o que não existe uma solução fácil na parafernália científico-tecnológica posta à disposição de quem pode pagar por isso.

Pobreza de filosofia e afeto

Quando vivíamos mais próximos da natureza, com a consciência de sermos parte do Universo – o que levou os gregos a desenvolver a noção de cosmos, como equivalência de harmonia –, culturas antigas ensinaram os humanos a morrer com dignidade.

E nem sempre a razão pura orientou essas iniciativas. Os primeiros sepultamentos foram feitos sob efeito de experiências mágicas, as mesmas utilizadas para dar sentido às iniciativas de caça. Mas nem quando agiram sem o predomínio da razão os humanos foram irracionais. Ordenamentos mitológicos estruturaram esses procedimentos e eles davam, à experiência de viver, o sentido de que hoje nos ressentimos.

Os políticos, com o oportunismo despudorado que exibem por toda parte, talvez sejam uma das evidências mais claras da crise de valores que atravessamos, ao menos no Ocidente, para uma caracterização menos controvertida. E aqui aparecem os irmãos Bush como provas disso: o presidente George W. e o governador da Flórida, Jeb, estado onde Terri Schiavo se encontra hospitalizada.

Os Bush clamam pela vida como se fossem dos poucos com sensibilidade para isso. Mas como governador do Texas, apenas para situar, o atual presidente autorizou pelo menos 150 execuções de pena de morte. Isso sem falar de sua obsessão em levar guerra e destruição ao Iraque, como se os Estados Unidos não fossem os responsáveis diretos pela criação do truculento Saddam Hussein.

Se fosse necessário um outro exemplo poderíamos evocar o protesto dos moradores de Cidade Ocidental, na periferia de Brasília, que na terça-feira (22/3) se rebelaram, armados de paus e pedras, como uma sociedade primitiva, contra o despudor de políticos de legislarem em causa própria, na determinação de arrancar benefícios extras de uma sociedade exaurida em sua capacidade de pagar tributos.

Cirurgiões plásticos, sem qualquer demonização absoluta de uma especialidade que se justifica por diferentes razões, talvez sejam outra das metáforas desses tempos empobrecidos de filosofia e afeto, sensações substituídas pela alienação e ganância. Michael Jackson, um mutilado pelos bisturis desses especialistas, dispensa comentários nessa direção.

Tão perto, tão longe

O que conectaria, como uma fiação invisível, o caso Terri Schiavo, a sumariedade da mídia, a monstruosidade física de Michael Jackson e o despudor dos políticos por toda parte?

A resposta mais promissora talvez seja "uma crescente alienação social", apesar do aumento do fluxo da informação.

Temos mais informação neste início de milênio, mas elas não são relevantes e por isso mesmo não fazem sentido enquanto possibilidade de construção de uma nova maneira de pensar o mundo. O que significa considerar que instaurar uma noção de cosmos e humanidade, de fato, parece cada vez mais uma utopia.

E aqui, mais uma vez, retornamos à convivência com a morte.

O Livro Tibetano dos Mortos, o Bardo Todol, adaptação budista de uma tradição tibetana, que antecede ao século 7 desta era, traz uma abordagem do ciclo da existência samsárica (fenomênica) entre a morte e o renascimento – e com isso dá ao moribundo a dignidade de morrer com a paz que falta a Terri Schiavo e produz um sofrimento coletivo.

Embora essa obra tenha se tornado conhecida como suporte aos que morrem e aos que já morreram – num sentido praticamente ininteligível para o Ocidente – o Bardo Todol distribui seus ensinamentos aos que nasceram, o que significa dizer que trata a vida humana do nascimento à morte cobrindo as experiências entre esses dois extremos.

Por aqui teríamos um encontro também com Platão, ao menos em um de seus diálogos, Timeu, abordando constituição política, cosmologia e antropogênese. Mas num tempo raso de filosofia e especulação além dos limites dos Big Brother planetários, Platão é sinônimo de luxo, impossibilidade quase completa de se descobrir que o que parece absolutamente novo foi concebido e considerado já em séculos anteriores.

Ainda assim, há motivos para alguma comemoração. É o caso da entrevista que o suplemento "Aliás", do Estado de S.Paulo, trouxe na edição de domingo (27/3, págs. J 4-5) com o padre Leo Pessini, ex-capelão do Hospital das Clínicas em São Paulo, num esforço necessário para se compreender os limites entre a parafernália médico-tecnológica e o território insondável da morte.

Num diálogo sensível e inteligente com a repórter Mônica Manir, sob a forma de entrevista pingue-pongue, Pessini avança com coragem e inovação em considerações não muito freqüentes entre religiosos no Brasil.

Em revelações distribuídas ao longo das duas páginas, os valores religiosos de Pessini não inibem, em nenhum momento, observações críticas contemporâneas – revelando que por mais de 12 anos convivendo com pacientes terminais nunca se sentiu "tão perto do ser humano e tão longe da humanização", por ver desrespeitado, numa instituição que é referência nacional, "o direito de o paciente morrer em paz e com dignidade".

Síndrome de Peter Pan

Numa crítica velada a uma mentalidade autoritária por parte da medicina, Leo Pessini relata que "o procedimento standard é investir em todas as possibilidades tecnológicas de cura, como se a morte fosse inimiga e não um processo conseqüente da vida" – articulações presentes no secular Bardo Todol ou no Timeu de Platão (onde a origem para as doenças do corpo e da alma são as mesmas, sendo a doença da alma a demência, decomposta em loucura e ignorância).

Colocando-se pessoalmente ao lado dos pais de Terri Schiavo, contrários à retirada dos tubos de alimentação (antes que fosse anunciada a decisão dos médicos de fornecer morfina como forma de amenizar a sorte da paciente), o ex-capelão do Hospital das Clínicas denuncia que "as unidades de terapia intensivas (UTIs) atuais são modernas catedrais de sofrimento humano", considerando que só deveriam receber este benefício "quem tem esperança de cura, mas não é bem isso o que acontece". Neste caso, razões econômicas, sem que o padre tenha dito e que a mídia tenha investigado, costumam prevalecer sobre o sofrimento em conluio com a negligência do Estado.

Duas considerações do ex-capelão Passini merecem reflexões adicionais pela atualidade e importância no interior de uma sociedade que, apesar de todas as dificuldades, lentamente amplia sua expectativa de vida.

A primeira delas diz respeito à bioética – "um grito pela dignidade humana. Defesa da vida num sentido amplo que se estende pelos níveis ecológicos e cósmico. Nasceu pelas mãos do oncologista americano Van Rensselaer Potter, uma ciência com apenas 35 anos".

A outra é uma revelação pessoal envolvendo pessoas que lhe pediram para morrer: para Pessini, o grande desafio desses momentos "é ser criativo, combinar razão, realidade, fé e coração humano. Quem pede para morrer está gritando por sentido numa vida sem sentido".

Por tudo isso o drama de Terri Schiavo é desagradavelmente desconfortável à falsa sensação de que tudo pode ser arranjado com facilidade com que se redesenham traseiros, peitos e narizes numa sociedade que se recusa a envelhecer, agarrada a uma síndrome de Peter Pan.

Não gostamos de pensar na morte. Mas ela é, ao fim de tudo, a única certeza da vida.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:
Deonísio da Silva – Escritor

"Achei o programa muito bem dirigido. O Dines fez a reforma agrária da palavra, dividindo bem o tempo dos convidados."

Sérgio Nogueira Duarte – Professor
"O programa foi interessante pelo fato de os 4 convidados terem opiniões divergentes sobre o assunto e mesmo assim no final houve uma convergência de idéias."

São Paulo:
Rodolfo Lucena – Ed. Informática Folha de S. Paulo

"Acho que o programa foi interessante, poderia talvez ter espaço para mais polêmica, para mais discussão entre os debatedores. Sobre a questão em si, acho que já deixei clara a minha posição e queria lembrar que alguns dos ícones da cultura e da literatura brasileira o são exatamente pela forma com que revolucionaram a linguagem. Alguém citou no final do programa a beleza da prosa de Guimarães Rosa e essa prosa revolucionou a linguagem e até as palavras, e talvez por isso mesmo é ininteligível para uma grande parte dos leitores. Outros autores, talvez menos famosos mas também muito importantes, trabalharam a linguagem de uma forma muito peculiar, por exemplo, o teatrólogo Corpo Santo e o grande cineasta Glauber Rocha, que procurou até criar uma grafia do que considerava ser a língua portuguesa mais correta. É isso. Acho que a internet só ajuda a enriquecer a cultura em geral."

Marisa Lajolo – Professora
"Acho que se tocou em tudo que era importante, a questão básica da dicotomia de uma linguagem mais tradicional e a nova linguagem que está aparecendo na internet e acho que a bola está agora com quem assistiu o programa, é a vez das outras pessoas dizerem o que acharam."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 29/03 a 05/04:

Felício – Prof. Filosofia
Quando leio o economês, o filosofês, o governês, o futebolês, o mediquês e o jornalês nem sempre entendo e são linguagens específicas de específicas atividades humanas, não aconteceria o mesmo com as linguagens dos jovens e dos computadores?

Roberto Bueno Mendes, São Paulo
Olá pessoal do Observatório, haverá algum problema só se todos resolverem escrever assim em todos os lugares, inclusive nos jornais. Imagine um caderno de economia, que já não é fácil de se entender, escrito com o dialeto da internet? Seria uma das coisas mais estranhas. Tem-se, apenas, que adequar a linguagem à situação na qual se encontra no momento. Gostaria de lembrá-lo sobre os inúmeros sites e blogs dedicados à literatura na internet. A internet não é a peste negra contaminando a língua portuguesa, apenas. Há inúmeras iniciativas apoiadas pelo SESC OnLine, por exemplo, exclusivas para ajudar os internautas a escreverem seus próprios textos com todas as formas que a língua portuguesa nos proporciona. Obrigado e parabéns pelo programa.

Maérlio Machado
Acredito que esta nova modalidade de escrita nas vias da internet, não deixando de ser uma nova forma de linguagem, vem deturpar a nossa língua oficial, uma vez que induz ao hábito de não mais buscar a forma correta da escrita. Como disse Willian Somerset Maugham se não mantivermos constantemente o uso da fala, certamente, ao longo do tempo, perderíamos essa comunicação.

Alexandre Felix, Manaus / AM
Caros amigos, se considerarmos o nosso idioma como um dos elementos que unem o nosso país, não seria prudente considerar que essas interferências do "internetês" são prejudiciais?

Aurelio Moraes, São José dos Campos / SP
Não é perigoso que alunos de jornalismo usem excessivamente o "internetês", por modismo e falta de leitura? Tenho receio que no futuro esta praga chegue aos grandes jornais. Estou no primeiro ano da faculdade de jornalismo e detesto o "internetês", fico muito chateado ao ver colegas de classe escrever desta forma assumidamente por modismo e também por falta de leitura. Creio ser ainda mais grave quando os jornalistas que devem ser os bastiões das normas cultas gramaticais e alunos de jornalismo escrevem desta forma bizarra. O internetês é tão bizarro quanto o gerundismo e a expressão "a nível de".

Ronaldo Augusto, Belo Horizonte / MG
Boa noite! Acho que nesta aparente rapidez de comunicação pela internet estão embutidas outras deficiências - uma delas é a incapacidade de digitar o teclado. No mais, a grande dificuldade de estruturar o pensamento lógico pelos jovens. Vide uma sala de bate-papo. Terrível!

Walter Filho, Curitiba / PR
Boa noite, minha pergunta é: Além da questão da linguagem cifrada usada nos chats e na internet, por uma minoria na minha opinião, qual a opinião dos senhores sobre o uso dos editores de texto com corretores ortográficos automáticos que apontam "erros" em palavras corretas e muitas vezes inibem uma produção de texto mais elaborada? Outra pergunta, se possível: Certos termos, como o PT usado nos telegramas, foi incorporado em expressões (vide: PT saudações). Como estas expressões das salas de bate-papo podem ser incorporadas em expressões exclusivamente e não na língua culta?

Zé Augusto
Caros participantes do OI, tenho notado por parte de alguns participantes da mesa uma total aversão para o surgimento desta "nova linguagem", mas acredito que vocês ainda não estão inteirados totalmente com o seu uso. Esta linguagem se destina às conversas totalmente superficiais e sem o mínimo de profundidade. São empregados em conversas completamente informais e sem o mínimo de formalidade. Acredito que seja impossível conversar com essa "nova linguagem" sobre assuntos como: o impacto do amor na vida dos seres humanos, o que acontece com a alma depois da morte, por que o futebol carioca se encontra em um momento tão difícil, portanto, os assuntos centrais da vida do homem são impossíveis de serem tratados por essa simples linguagem. Dado esse meu ponto de vista, pergunto: será que uma linguagem tão simples e básica pode suportar as discussões de assuntos profundos e complexos da vida humana?

Erica Pompeu, Fortaleza / CE
Caros colegas, considerando a argumentação da profª Marisa a favor do "internetês", fundamentada em uma espécie de pró-criatividade da nossa juventude, fiquei tentando imaginar esta linguagem em uso universal. Fiquei pensando em como ficariam, por exemplo, Vinícius de Moraes ou Fernando Pessoa decodificados a partir deste "internetês". De fato, seria muito criativo; mas extremamente pobre. Hoje, comemoramos quatro anos de casados, eu e meu marido. Fiz o teste. Peguei uma folha de papel e tentei fazer uma carta de amor. Saiu ridícula, mas não no sentido de que "todas as cartas de amor, se são cartas de amor, são ridículas".

Antônio Castigliola, Rio de Janeiro
Num país em que a marca registrada são os sem-livros, sem-cultura, sem-conhecimento, a defesa intransigente de uma variante para a língua portuguesa, o internetês, não é o indicativo de que além dos analfabetos formais e informais estamos criando agora os analfavirtuais?

Taís Vargas, Ponta Grossa / PR
Muita teoria e pouca prática. Estamos regredindo aos feudos, com dialetos compreensíveis apenas em grupos fechados, na contramão da unificação da linguagem. A língua padrão não foi criada sem motivos; houve a necessidade de padronizar o modo de uma nação se comunicar. Aleijamentos ortográficos não podem ser incentivados, principalmente entre crianças e adolescentes, que estão em fase de formação de sua capacidade de comunicação. Quem teria a pretensão de considerar-se capaz de decifrar este pequeno texto, se fosse escrito com aleijões ortográficos quer formam uma nova língua, praticada apenas entre grupos fechados? É a pulverização da cultura e a volta à barbárie. Parabéns escritor Deonísio da Silva.

Silvia, São Paulo
Estou acompanhando o programa de hoje e não pude deixar de me manifestar. Convivo diariamente com adolescentes que praticam o internetês e posso observar que essa deformação de escrita não se restringe ao meio cibernético, pois eles escrevem bilhetes, cartas e redações com o mesmo tipo de abreviação. Ao contrário do que a ala acadêmica dos convidados defende, acredito sim que os prejuízos do uso indiscriminado dessa linguagem são muitos e serão vistos em breve. Por que não há nenhum convidado representando o mercado de trabalho? O que será que acontecerá ao candidato de emprego que trocar letras ou abreviar pronomes? A memória visual é algo indiscutível e não pode ser menosprezada. Isso sem falar nas empresas que já estão se aproveitando disso (Telecine). Desculpem-me a franqueza, mas acho que a ala acadêmica está sendo demagoga e concordo plenamente com o Deonísio.

Henrique Flink, Brasília / DF
Embora o programa seja específico sobre a linguagem da Internet, seria interessante ouvir a opinião dos ilustres debatedores sobre a seguinte questão: o que traz mais prejuízo à língua portuguesa? Este dialeto "internetês" ou a televisão com programas tipo Xuxa "ensinando" as crianças e juventude a escrever e falar tudo com "x"?

Monica
Gostaria de enviar um comentário ao prof. Sérgio Nogueira: nenhum linguista sério diz que não se deve ensinar a língua culta ou padrão, como queira, ao aluno. Essa é a língua oficial do Brasil e nós, professores, temos de segui-la. Além disso, está claro que não ensinar essa modalidade é não fazer democracia etc etc. O que se deve ter em mente é que esse ensino (que perseguimos) não corresponde à realidade, os alunos odeiam estudar a língua por isso. O ensino faliu (há muitos motivos para esse fato, mas não é o caso de citá-los) e não ver esse fato é perder o bonde da história. A língua está em constante evolução e até que se oficialize outro código, ficaremos numa situação esquizofrênica dentro da sala de aula. Enfim, não adianta vender essa idéia de que tal forma é certa e tal é errada. A língua portuguesa está se transformando assim como o latim evoluiu para as línguas neolatinas. Percebe?

Kelly
Olá equipe do programa Observatório da Imprensa. Escrevo-lhes para dizer que adorei o tema que foi discutido na terça-feira dia 29.03, o qual destacava a questão da linguagem na internet. De fato é algo para ser discutido pois mesmo que alguns convidados do dia não vissem problema nessa "novidade" que principalmente os jovens vêm adotando, há sim que levar em conta que isso poderá interferir na nossa língua portuguesa que acaba sendo erroneamente utilizada. Eu em particular amo a escrita e sempre escrevo corretamente, tanto que se há dúvida, logo procuro um dicionário para redigir certo e também para manter a perfeição da escrita, pois dou muito valor a isso e confesso que fico terrivelmente incomodada com os termos "naum" em vez de não; "mto" em vez de muito; "fds" em vez de final de semana, enfim, diferenciações que, inclusive, conforme disse o escritor Deonísio da Silva no programa, isso é algo que uma determinada faixa etária (ou otária!) tem utilizado. Lamentável que haja muito conhecimento tecnológico e pouca cultura clássica. Falta esses seres lerem mais, se aprofundarem na língua portuguesa e procurarem escrever da melhor forma e não o contrário. Ainda que esses termos sejam utilizados em simplificações para se ganhar tempo talvez, acaba habituando-os e a palavra inteira não mais sendo escrita como deve ser, deixando-os depois, possivelmente, até na dúvida em como escrevê-las. É preciso que as escolas cobrem mais dos alunos e os façam escrever corretamente sempre! Quero agradecê-los por colocarem sempre em discussão temas tão interessantes e mostrar a nós, telespectadores que acompanhamos temas como esse, que não estamos sozinhos nessa visão. Abraço a toda equipe e sucesso!

Marinésio Gonçalves – Prof. Língua Portuguesa e Literatura Brasileira
Estou enviando esta mensagem para manifestar meu desagrado em relação a alguns pontos do debate da última terça-feira dia 29 de março deste ano, cujo tema foi: "As licenças de linguagem na internet empobrecem a língua portuguesa?" No meu entender, uma série de lacunas, causadas pela não definição de conceitos básicos, bem como o destaque de opiniões parciais e sem sustentação científica contribuíram para um encaminhamento quase que totalmente equivocado da questão. Em primeiro lugar, a afirmação de que a linguagem usada na internet contribui para o "empobrecimento da língua" prescindiu do estabelecimento claro dos conceitos de língua e do que nesta língua especificamente estava sendo empobrecido. Entre tantas outras definições possíveis, a língua é entendida como um sistema convencional de signos que permite uma atividade interacional entre sujeitos, e que tem na ortografia um conjunto de regras que define a sua representação escrita, no caso em questão, dentro da chamada norma-padrão. A ortografia não é um elemento natural da língua, mas artificialmente construído e no caso da língua portuguesa falada no Brasil, definido em Lei. O uso das abreviaturas foi debatido em vários momentos como um ataque à língua, quando, na verdade (se é algum ataque) atinge especificamente às regras ortográficas. Segundo o sr. Deonísio da Silva, a língua estaria sendo "assassinada a tecladas". Se estendermos esta análise para a pontuação, o problema abordado ainda estará restrito à representação escrita da língua portuguesa. O que há de grave nisto é que o programa permitiu a formação ou consolidação de um primeiro equívoco: o de que a língua se resume à modalidade escrita. Com relação a ser o "empobrecimento da língua" causado pela falta de vocabulário dos usuários, podemos levantar algumas perguntas: quantas palavras seriam necessárias para se estabelecer um vocabulário particular "rico" ou "adequado"? O que vem a ser um vocabulário rico? O uso de termos específicos da linguagem de programação e da informática não pode formar um vocabulário "rico"? Se não existe um número exato de palavras para formar um vocabulário rico (até porque este número poderia ser preenchido com palavras "simples"), seria rico um vocabulário que contivesse uma série de palavras de significado difícil, de preferência de origem grega ou latina, ou que remontasse a textos "antigos" (seja lá o que isto queira dizer). Se for este o ponto, parece claro que estamos diante de um problema que atinge a educação formal, mas isto será tratado mais adiante. Antes, gostaria de abordar um outro equívoco que até se tentou superar (nas falas da Profª Marisa Lajolo e do Prof. Sérgio Duarte), mas acabou ganhando força: a falta de contextualização da situação de uso da linguagem. Para o uso adequado da linguagem, o usuário deve compreender que diferentes situações de comunicação "pedem" diferentes linguagens, ora mais espontâneas, ora mais formais. Desta maneira, a linguagem usada na internet responde às particularidades deste meio de comunicação, como a necessidade de rapidez na troca de informações e a simplificação (que nem sempre ocorre) na forma de representação escrita. Se o grande problema em relação a isto se deve à transposição da linguagem da internet para outros contextos que não o da comunicação rápida e simplificada da "rede", e mais especificamente o uso desta linguagem em textos formais, então o verdadeiro foco não está na aquisição desta linguagem, mas na capacidade de contextualizá-la. Desenvolver esta capacidade é função da educação formal e aqui entramos no terceiro equívoco a ser abordado. É papel da educação formal, por meio dos professores de língua portuguesa, desenvolver o uso efetivo da língua em suas várias modalidades, entre as quais a sua norma-padrão. Sendo assim, não cabe aos professores cercear o uso da linguagem da internet, mas ensinar aos alunos a necessidade de se contextualizar cada linguagem de que dispõem, bem como o uso da modalidade padrão, na qual estão estabelecidas as regras ortográficas vigentes. Parece-me claro com isto que não há nenhuma contradição entre usar a linguagem abreviada ou sem pontuação da internet e usar, em outra situação comunicativa, a norma-padrão. O que me parece ter havido mais uma vez foi o equívoco do sr. Deonísio da Silva e do Prof. Sérgio Duarte, quer por desconhecimento do objeto de análise, quer por uma questão marcadamente ideológica. Dentro deste segundo aspecto classifico declarações como a do Prof. Sérgio Duarte a respeito da necessidade de alguém defender a norma-padrão. Ora, uma afirmação destas faz pensar que poucos abnegados se entregam ao trabalho de ensinar a norma-padrão, quando na verdade ela está presente no programa oficial do MEC, nos Parâmetros Curriculares Nacionais, e é estudada por pelo menos onze anos, somados o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. O ensino da norma-padrão não é uma tarefa solitária de meia dúzia de guardiões, como fica parecendo, mas faz parte de um programa oficial de ensino, repito. Se existem problemas na aquisição desta modalidade da língua isto se deve a dois fatores: uma crise generalizada na educação formal brasileira, e uma falta de consistência na própria definição do que é a norma-padrão do português no Brasil e na sua metodologia de ensino. O que não se pode admitir são conclusões "científicas" como a do sr. Deonísio da Silva que atribui o "empobrecimento da língua" à "burrice" dos que utilizam a linguagem da internet e os inclui numa "faixa otária". Aos que não têm preparo científico e emocional (independente de sua titulação), aos que não têm respeito pelo seu interlocutor, ou aos que agem de má-fé, restam a ofensa e a arrogância, em lugar da análise bem fundamentada do objeto em debate. Considerando que o Observatório da Imprensa é um espaço de exposições consistentes de diversos temas relevantes no cenário político e intelectual do país, eu não poderia deixar de manifestar meu desconforto ao perceber tantas distorções. Não poderia permitir que mais uma vez a reflexão científica sobre a linguagem (como fez a Profª Marisa Lajolo) fosse calada pela mais perigosa das ignorâncias que é aquela que se reveste de saber acadêmico, mas é parcial e limitada em sua análise.


Telefonemas recebidos em 29/03:

Francisco dos Navegantes, Ceará Mirim / RN
Essa nova linguagem pode vir a atrapalhar de alguma forma a relação entre pais e filhos?

Ruy Fulgêncio, Belo Horizonte / MG
Será que os alunos estão utilizando essa linguagem porque não estão tendo um bom ensino em sala de aula e não conseguem absorver a matéria ensinada?

Paulo Henrique, Itapetininga / SP
O importante da língua é se expressar, o que realmente importa é a comunicação. Olhando por este prisma, essa linguagem não seria benéfica?

Antônio George, Dias D’ávila / BA
Se um aluno entregar uma redação para o professor escrita na linguagem da internet ela deverá ser considerada errada, mesmo que não fuja do tema?
Essa nova linguagem pode comprometer a formação das crianças que ainda não dominam bem a linguagem escrita?

Paulo Moreira, Goiânia / GO
A Língua Portuguesa é viva e já sofre variadas alterações durante alguns séculos. Essa nova "língua" dos jovens pode contribuir para a evolução do Português?

Rui Barbosa, Tomar do Gerú / SE
Esse Português utilizado na internet pode provocar algum tipo de "dano" na gramática normativa ensinada em sala de aula?

Paulo Telles, Recife / PE
A educação infantil pode ser deturpada por essa língua chamada "internetês"?

Suriel Ribeiro, Porto Alegre / RS
O que essa linguagem de internet pode acrescentar à norma culta e o que a norma culta pode acrescentar à nova linguagem da internet?

Geter Levi, São Paulo
É considerada uma linguagem informal um texto com sinais e abreviações na internet?

Marcos dos Santos, Rio de Janeiro
A falta de programas de ensino da Língua Portuguesa na TV aberta não pode estar abrindo espaço para essa nova linguagem?

Cíntia Araújo, Belo Horizonte / MG
Qual a sua opinião sobre o ensino de línguas através da internet? Isso é prejudicial ou benéfico?

Liriana Nunes, São Paulo
Nós não corremos o risco dessa linguagem ser incorporada ao nosso vocabulário?

Sérgio dos Santos, Calhieira / SP
Essa linguagem facilita ou dificulta o poder de raciocínio das pessoas que a utilizam?

Palmira Felipe, Rio de Janeiro
Vocês acham que em 2015 a Língua Portuguesa já terá absorvido essa nova linguagem?

Alexandre Piqui, Santos / SP
Essa linguagem da internet pode futuramente ser agregada à gramática utilizada nas salas de aula?

Bruno Spinelli, Abreu de Lima / PE
A falta de variações dessa língua não pode acabar transformando o Português em um dialeto muito restrito?

Alexandre Sonego, Araçatuba / SP
De acordo com a obra de Marcos Bagno toda e qualquer espécie de pré-conceito que fazemos da língua é uma espécie de segregação que cometemos com os falantes. O senhor acredita que posteriormente teremos mesmo o "internetês" como dialeto ou é apenas um modismo?

Betuel, Brasília / DF
Essa linguagem abreviada não pode atrapalhar e prejudicar o prazer pela leitura?

Paulo Cunha, Salvador / BA
Em uma prova de vestibular, se o aluno usar abreviaturas como essas e conseguir transmitir o conteúdo desejado, o professor deve diminuir a nota?

Cleonice Oliveira, Cotia / SP
Essa nova linguagem pode acrescentar coisas positivas a Língua Portuguesa e até facilitar a comunicação no mundo moderno?

Adriel Mavckaf, Guarulhos / SP
Essa nova linguagem pode se transformar em uma linguagem mundial? Um esperanto do século XXI como disse o Mauricio de Sousa?

Eduardo Lapola, São Gonçalo / RJ
Como é possível conjugar a internet e a norma culta da Língua Portuguesa?



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